O ex-vereador do Rio de Janeiro Ulisses Marins foi um dos principais alvos da operação realizada nesta quinta-feira (18) pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e pela Polícia Civil contra agentes públicos suspeitos de favorecer interesses ligados ao traficante Álvaro Malaquias Santa Rosa, o Peixão, apontado como chefe do Terceiro Comando Puro (TCP).
A ação cumpriu mandados de busca e apreensão em diversos endereços e investiga a suposta atuação de Ulisses Marins e do deputado estadual Val Ceasa (PRD) para tentar impedir a demolição de imóveis atribuídos ao traficante no Complexo de Israel, na Zona Norte do Rio.
Segundo as investigações, os imóveis eram apresentados às autoridades como espaços destinados a projetos sociais. No entanto, o Ministério Público afirma que a apuração apontou uma realidade diferente, levantando suspeitas sobre a verdadeira finalidade dos empreendimentos.
Entre os locais citados está o chamado “Resort Green”, um complexo de luxo construído em área de preservação ambiental e apontado pelas autoridades como pertencente a Peixão. A estrutura acabou demolida pela polícia em 2025, mas, segundo investigadores, operações para derrubá-la teriam sido adiadas anteriormente após supostas interferências políticas.
Relatos reunidos durante a investigação indicam que Ulisses Marins e Val Ceasa teriam procurado representantes das forças de segurança para pedir que a demolição não fosse realizada, sob o argumento de que o local abrigava um projeto social.
Uma imagem obtida pelos investigadores mostra uma placa instalada em um dos imóveis com referências aos nomes de Ulisses Marins, Val Ceasa e da ex-deputada Dani Cunha.
O nome de Ulisses também aparece em uma investigação mais ampla que apura a influência de organizações criminosas sobre agentes públicos. As diligências desta quinta-feira foram realizadas por equipes da Coordenadoria de Segurança e Inteligência (CSI) do MPRJ e da Coordenadoria de Investigação de Agentes com Foro da Polícia Civil.
Até o momento, o ex-vereador não foi denunciado criminalmente pelos fatos investigados. O caso segue em apuração pelas autoridades.
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