Nova ferramenta com inteligência artificial criada por brasileiro cruza dados públicos e detecta indícios de corrupção em emendas e contratos. Entenda:

Por Caio Gervazoni - Rio Janeiro

Publicado há 4 meses ago

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Entre os casos identificados por um novo sistema de análise de dados estão situações em que recursos de emendas parlamentares foram destinados a municípios cujos contratos acabaram firmados com empresas associadas a familiares de congressistas. O cruzamento também destacou inconsistências envolvendo possíveis funcionários fantasmas e repasses federais a instituições de ensino com indícios de irregularidades cadastrais.

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A ferramenta opera exclusivamente com dados abertos disponibilizados por órgãos oficiais, como o Portal da Transparência, o Tribunal de Contas da União (TCU) e bases públicas da Receita Federal do Brasil. O diferencial está na consolidação automatizada dessas informações, que tradicionalmente permanecem fragmentadas em diferentes sistemas e bases de consulta.

Segundo o desenvolvedor do projeto, os achados financeiros somam dezenas de milhões de reais em exposições classificadas como de risco elevado pelo modelo estatístico adotado. Para reduzir questionamentos jurídicos, a plataforma deixou de utilizar termos como “corrupção” ou “suspeita” e passou a adotar pontuações percentuais de risco — metodologia comum em ferramentas de compliance, conjunto de práticas voltadas à integridade corporativa e à conformidade legal.

A intenção é submeter o código à revisão jurídica antes de torná-lo open source, modelo de software de código aberto. De acordo com o responsável, a prioridade será facilitar o acesso de jornalistas investigativos, organizações da sociedade civil e órgãos de controle às informações estruturadas.

Dados públicos e fiscalização tecnológica

O projeto se inspira no conceito de effective accelerationism, que propõe o uso de soluções tecnológicas para enfrentar gargalos institucionais. No contexto brasileiro, a iniciativa dialoga com a ampliação das políticas de transparência após a entrada em vigor da Lei de Acesso à Informação, sancionada em 2011.

Embora as bases utilizadas já sejam públicas, especialistas apontam que a baixa integração entre sistemas limita análises mais amplas. Ao estruturar essas informações em redes e aplicar modelos estatísticos de cruzamento, a ferramenta amplia a capacidade de identificar padrões e potenciais inconsistências, reforçando o uso da tecnologia como apoio à fiscalização.

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Por Caio Gervazoni - Rio Janeiro

Publicado há 4 meses ago

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