A Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) informou que a tornozeleira eletrônica do cantor de funk e trap Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, está desligada desde domingo (1º). Diante da situação, a juíza Tula Corrêa de Mello, da 3ª Vara Criminal, assinou nesta terça-feira (3) um novo pedido de prisão contra o artista, que já é considerado foragido.
Segundo a Seap, o equipamento foi instalado no fim de setembro e, a partir de novembro, passaram a ser constatadas irregularidades no monitoramento. A Justiça foi comunicada de violações nos dias 1º, 4 e 11 de novembro, além de 1º e 5 de dezembro. Desde a instalação da tornozeleira, foram registradas ao menos 66 violações, sendo 21 somente em 2026.
Na segunda-feira (2), o ministro Joel Ilan Paciornik, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), revogou o habeas corpus que havia beneficiado o cantor. De acordo com o STJ, Oruam descumpriu reiteradamente as regras do monitoramento eletrônico, deixando a bateria do equipamento descarregar por longos períodos, o que teria inviabilizado a fiscalização judicial e demonstrado risco à ordem pública e à aplicação da lei penal.
Após a decretação da prisão, a empresária Márcia Gama, mãe do cantor e esposa de Marcinho VP, publicou nas redes sociais a frase “Deus tem a última palavra. E isso é o suficiente”, ao som de uma música gospel.
A Polícia Civil do Rio de Janeiro informou que realiza diligências em diferentes endereços ligados ao artista para cumprir o mandado de prisão. Ele não foi encontrado na residência localizada na Freguesia de Jacarepaguá.
A defesa de Oruam, representada pelo advogado Fernando Henrique Cardoso, nega que tenha havido desligamento proposital da tornozeleira. Segundo ele, o equipamento apresentava falhas técnicas. A defesa afirma que, em dezembro, o cantor foi convocado a comparecer à Seap, onde técnicos constataram problema de carregamento e realizaram a substituição do dispositivo, fato que, segundo o advogado, está documentado oficialmente.
Oruam é acusado de duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis durante uma operação realizada em 22 de julho de 2025, quando agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) cumpriam um mandado de busca e apreensão de um adolescente suspeito de integrar o Comando Vermelho, no bairro do Joá, na Zona Oeste do Rio.
