A Justiça do Rio de Janeiro decretou, nesta terça-feira (22), a prisão preventiva do rapper Mauro Davi Nepomuceno, conhecido como Oruam, após um episódio de confronto com a Polícia Civil. O cantor se envolveu em uma confusão com agentes da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que cercaram sua residência no Joá, Zona Oeste da capital, na noite de segunda-feira.
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De acordo com a corporação, os policiais foram ao local após receberem informações de que um adolescente, apontado como segurança de Edgar Alves de Andrade, o Doca — um dos chefes do Comando Vermelho —, estaria na mansão do artista. Durante a abordagem, Oruam reagiu de forma exaltada, filmou e xingou o delegado Moyses Santana, titular da especializada, e lançou pedras contra os agentes. Nos vídeos postados em seus stories, o rapper afirmou: “Tem mais de 20 viaturas na minha casa. O mesmo delegado que me prendeu. Eu estava saindo e colocaram a pistola na minha cara. Claro que ele vai querer prender nós porque nós é filho de bandido”. O pai do cantor, Márcio Nepomuceno dos Santos, o Marcinho VP, é apontado como um dos líderes históricos do Comando Vermelho e cumpre pena desde 1996 por tráfico de drogas e homicídios.
Após o tumulto, uma pessoa foi presa por desacato e Oruam teria deixado o local rumo ao Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio. Em novas postagens, ele desafiou as autoridades a prendê-lo na comunidade e reafirmou sua ligação com o pai: “Sou filho do Marcinho”, escreveu.
Nesta manhã, o secretário de Polícia Civil do Rio, delegado Felipe Curi, comentou o caso em entrevista à TV Globo. Segundo ele, Oruam será indiciado por associação para o tráfico de drogas, devido à sua suposta ligação direta com a facção criminosa. “Se alguém tinha dúvida se era um marginal ou um artista periférico, está claro: é um marginal da pior espécie e ligado ao Comando Vermelho”, declarou.
Esta não é a primeira vez que o nome de Oruam aparece em ocorrências policiais. Em fevereiro deste ano, ele foi preso por abrigar um foragido da Justiça em casa. Na ocasião, a polícia encontrou com o suspeito uma pistola 9 mm com kit-rajada. Dias antes, o cantor já havia sido autuado por direção perigosa após realizar manobras ilegais com um carro na orla da Barra da Tijuca.
Conhecido por ostentar uma imagem polêmica e ligada ao crime organizado, Oruam construiu sua carreira com base em uma estética que mistura luxo, violência e militância. Subiu ao palco do Lollapalooza, em 2023, com uma camiseta pedindo liberdade para Marcinho VP, atitude que gerou repercussão nacional. Também tem tatuado no corpo o nome de Elias Maluco, condenado pelo assassinato do jornalista Tim Lopes. Em suas redes sociais, exibe um estilo de vida de alto padrão, com carros importados, festas milionárias e um gato da raça Savannah F1, avaliado em até R$ 120 mil.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil. O adolescente que motivou a operação também é procurado.
