Real é a moeda emergente com pior desempenho em 2024, superando o peso argentino

Por Mariana Carvalho - Rio Janeiro

Publicado há 2 anos ago

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O real brasileiro assumiu a liderança como a moeda emergente com pior desempenho em 2024, ultrapassando o peso argentino, de acordo com análises econômicas recentes. A desvalorização da moeda nacional alcançou 10,54% nos primeiros seis meses do ano, impulsionada principalmente pela significativa fuga de capital estrangeiro.

Em janeiro, o dólar estava cotado a R$ 4,85, mas subiu para R$ 5,42 até junho, reflexo da crescente insegurança do mercado em relação às contas públicas brasileiras. Embora a arrecadação tenha apresentado crescimento nos últimos meses, as despesas governamentais também aumentaram substancialmente, exacerbando as preocupações fiscais e contribuindo para a retirada de investimentos estrangeiros. A bolsa brasileira registrou uma saída líquida de US$ 21 bilhões (R$ 114 bilhões) nos primeiros quatro meses do ano, o segundo pior resultado desde 1982, conforme dados do Banco Central.

O relatório de macroeconomia do Itaú destacou que “o risco fiscal permanece elevado, devido ao forte crescimento das despesas obrigatórias e aos limites para a expansão das receitas”.

Além dos desafios fiscais internos, a política monetária dos Estados Unidos tem influenciado significativamente a saída de capital estrangeiro. Com taxas de juros mais altas nos EUA, os ativos norte-americanos se tornam mais atrativos e seguros para investidores globais, reduzindo o apetite por ativos de países emergentes como o Brasil.

Ana Debiazi, CEO da Leonora Ventures, enfatizou que “o Brasil enfrenta um cenário econômico desafiador, marcado por políticas incertas e os impactos da política monetária dos EUA. Com expectativas de taxas de juros ainda elevadas, os investidores buscam retornos mais seguros sem assumir riscos adicionais”.

Confira abaixo as maiores quedas das moedas emergentes frente ao dólar em 2024:

  • Brasil: -10,54%
  • Argentina: -10,48%
  • Turquia: -10,12%
  • México: -8,50%
  • Tailândia: -6,95%
  • Coreia do Sul: -6,52%
  • Indonésia: -5,67%
  • Colômbia: -4,87%
  • Chile: -5,73%
  • Hungria: -5,77%

Acompanhe a evolução do cenário econômico internacional e as próximas medidas para mitigar os efeitos da crise cambial no Brasil.

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