Desde janeiro de 2024, o dólar vem apresentando uma trajetória de alta, caminhando para recuperar as perdas acumuladas nos últimos dois anos. No fechamento da véspera, a moeda norte-americana encerrou com um avanço de 0,23%, cotada a R$ 5,2971, acumulando ganhos de 9,16% no ano. Este desempenho já compensa a perda de 8,06% registrada em 2023.
Especialistas destacam uma série de fatores que têm impulsionado a valorização do dólar, entre os quais se destacam a política monetária dos Estados Unidos, a balança comercial brasileira e o quadro fiscal do Brasil.
Política Monetária dos EUA
A força do dólar em 2024 é atribuída, em parte, às sinalizações do Federal Reserve (Fed) sobre a condução dos juros nos Estados Unidos. Desde o início do ano, sinais de um mercado de trabalho aquecido e de uma atividade econômica robusta trouxeram preocupações para o Fed sobre a trajetória da inflação, adiando o início do ciclo de cortes de juros.
Em janeiro, a expectativa era de que o Fed começaria a cortar os juros em maio, mas atualmente, a maioria do mercado (58,7%) aposta que a redução das taxas ocorrerá apenas na reunião de setembro. Na última decisão de política monetária, em 1º de maio, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) manteve as taxas básicas entre 5,25% e 5,50% ao ano, o maior patamar desde 2001.
Balança Comercial Brasileira
A piora na balança comercial brasileira também tem influenciado a valorização do dólar. Em 2023, a balança comercial brasileira atingiu US$ 98 bilhões, o maior valor da série histórica. Com o mercado ajustando-se, uma eventual correção é considerada normal pelos especialistas.
A balança comercial, que é a diferença entre o que o país exporta e importa, afeta o dólar da seguinte forma: quando as exportações superam as importações, o Brasil recebe mais dólares, fazendo o preço cair. Por outro lado, quando as importações são maiores, mais dólares saem do país, aumentando o preço.
Quadro Fiscal Brasileiro
O quadro fiscal do Brasil também tem sido um fator crucial na desvalorização do real. Em abril, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, anunciou uma mudança na projeção fiscal do Brasil, prevendo um déficit zero para 2025, em vez de um superávit de 0,5% do PIB.
Para o mercado, essa mudança na meta fiscal significa mais espaço para gastos, mesmo em um cenário de dificuldade para aumentar as receitas. Este contexto tem contribuído para a valorização do dólar, visto como uma proteção em momentos de incerteza.
