O Ministério da Saúde apresentou os primeiros resultados do trabalho realizado para avaliar a incorporação das chamadas canetas emagrecedoras ao Sistema Único de Saúde (SUS). O ministro Alexandre Padilha reforçou que o medicamento, utilizado no tratamento da obesidade, será oferecido gratuitamente no SUS de forma responsável, com base em estudos e na definição de um protocolo clínico.
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“O Brasil é hoje o país com a maior diversidade de medicamentos registrados para o combate à obesidade, as chamadas canetas emagrecedoras. Já temos 14 produtos registrados. E isso derrubou o preço para a população. O que estava custando R$ 1,7 mil, R$ 2 mil, já está entre R$ 300 e R$ 400 na farmácia, aumentando o acesso. Mas a gente quer uma outra coisa: colocar essa medicação no SUS como um direito. E vamos fazer isso de forma responsável”, afirmou o ministro.
Padilha destacou que o medicamento não será incorporado ao SUS como um “milagre estético”. Segundo ele, o governo avalia se o uso da medicação consegue controlar a obesidade sem a necessidade de cirurgia bariátrica, se melhora a situação de pessoas com obesidade e problemas cardíacos, e se pode reduzir o risco de retorno do câncer em mulheres que tiveram câncer de mama — sempre com orientação médica.
O trabalho começou a partir de um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), que orientou os países a avaliarem o acesso a esse tipo de medicamento. A partir disso, o Ministério da Saúde e a Anvisa lançaram um edital para identificar empresas nacionais e internacionais com capacidade de produzir no Brasil a caneta emagrecedora à base de semaglutida, cuja patente expirou em 2026.
Para o estudo, batizado de Real-Bari, foi implementado um protocolo de pesquisa para o uso da semaglutida em pacientes com obesidade, em parceria com o Grupo Hospitalar Conceição (GHC), em Porto Alegre (RS). Ao todo, serão acompanhados 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou associada a outras morbidades. O primeiro paciente a receber o medicamento pelo sistema público já perdeu seis quilos e reduziu a circunferência, além de relatar mudanças nos hábitos de vida.
Apesar do otimismo do governo, um estudo recente mostra que o efeito das canetas emagrecedoras não é permanente: a pesquisa indica que o peso tende a voltar após a interrupção do uso dos medicamentos, reforçando que o tratamento da obesidade exige também mudanças no estilo de vida, como alimentação e atividade física, para que os resultados se mantenham a longo prazo.
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