A Executiva Estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) do Rio de Janeiro decidiu abrir um processo no conselho de ética contra a deputada estadual Carla Machado (PT-RJ). A medida, anunciada nesta quarta-feira (10), foi tomada após a parlamentar votar pela derrubada da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que determinou a prisão preventiva do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, contrariando a posição oficial da legenda.
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Em nota, o PT afirmou que a construção partidária é coletiva e exige compromisso com decisões democráticas, unidade programática e coerência política. Segundo o comunicado, a postura de Carla Machado representa uma “reiterada desconsideração das orientações partidárias” e evidencia divergências estruturais em relação às posições da sigla — fatores que, na avaliação da direção estadual, fragilizam a atuação do partido.
Procurada, a deputada ainda não se manifestou. O espaço segue aberto para resposta.
O estatuto do PT estabelece que seus parlamentares devem seguir as orientações partidárias nas votações. Para a direção estadual, ao votar pela soltura de Bacellar, Carla Machado descumpriu esse princípio, o que pode configurar violação de deveres internos. A deputada terá direito à ampla defesa e ao contraditório durante a análise do caso pelo conselho de ética.
O Diretório Estadual do PT não informou quais penalidades podem ser aplicadas, nem comentou os possíveis impactos do episódio na atuação da bancada na Alerj.
Carla Machado foi a única deputada petista a votar pela liberação de Rodrigo Bacellar. No julgamento realizado pelos parlamentares, a maioria decidiu derrubar a prisão decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, permitindo que o presidente da Alerj deixasse a sede da Polícia Federal nesta terça-feira (9). A soltura foi aprovada por 42 votos a 21.
Bacellar havia sido preso na semana anterior pela Polícia Federal, no âmbito da Operação Unha e Carne. Segundo as investigações, ele é suspeito de vazar informações da Operação Zargun, que levou à prisão do então deputado estadual TH Joias, apontado como ligado à facção criminosa Comando Vermelho (CV).
