Professor flagrado imitando macaco em roda de samba é demitido e caso é investigado como racismo

Por Mariana Carvalho - Rio Janeiro

Publicado há 2 anos ago

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O professor carioca flagrado imitando um macaco durante uma roda de samba na Praça Tiradentes, no Centro do Rio de Janeiro, no último dia 19, foi demitido da escola bilíngue onde lecionava em São Paulo. A instituição educacional anunciou que ele não integrará o quadro de colaboradores para o próximo semestre letivo. O incidente gerou uma investigação pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi), que já notificou o professor e uma professora argentina envolvida no caso a prestarem depoimento.

Em um comunicado, a escola bilíngue expressou seu posicionamento: “Reiteramos, uma vez mais, que não compactuamos com nenhum ato ou manifestação que fira os valores de respeito à diversidade cultivados em nossa instituição. Nosso compromisso é promover um ambiente seguro para todos os nossos estudantes, colaboradores e a comunidade escolar através de uma educação de respeito e cidadania.”

O incidente ocorreu durante um evento na Praça Tiradentes e foi amplamente documentado em um vídeo gravado pela jornalista Jackeline Oliveira. Segundo ela, o professor e a professora argentina foram vistos fazendo imitações de macacos, o que gerou indignação entre os presentes. A Decradi está tratando o caso como uma possível ocorrência de racismo, após queixas formais registradas por representantes do grupo musical PedeTeresa e por Oliveira.

Na última sexta-feira, 26 de julho, novas testemunhas foram ouvidas. O empresário João Ricardo, 37, e o jornalista Thiago Teixeira, 37, que estavam no local para a gravação de um vídeo sobre sambas do Rio, confirmaram que o casal fez imitações de animais. Além disso, um segurança relatou ter visto outro argentino fazendo uma imitação similar, embora o homem tenha sido advertido e cessado a conduta após a repreensão.

A professora argentina estava no Rio para um evento no Colégio de Aplicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro, realizado entre 15 e 19 de julho. O Fórum Latino-americano de Educação Musical (Fladem) solicitou uma investigação sobre a professora, esclarecendo que a gravação ocorreu após o término do seminário e que os indivíduos envolvidos não eram associados à entidade.

Em resposta à situação, a Associação Orff-Schulwerk da Argentina defendeu a professora, afirmando que o ato não tinha conotação racial. Em uma nota divulgada na terça-feira, 23 de julho, a associação explicou que, no contexto pedagógico argentino, a imitação de animais não é considerada uma prática racista.

O caso continua a ser investigado pela Decradi, que busca esclarecer todos os aspectos do incidente e garantir que a justiça seja feita. A sociedade e as instituições envolvidas permanecem atentas ao desdobrar da situação, que levanta importantes questões sobre respeito e intolerância.

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