Rio de Janeiro, 28 de agosto de 2024
A Polícia Civil do Rio de Janeiro acredita que a quadrilha responsável por fraudar máquinas de bichinhos de pelúcia pode estar ligada ao jogo do bicho ou à milícia. Na segunda fase da “Operação Mãos Leves”, realizada nesta quarta-feira (28), agentes cumpriram mandados e levaram três funcionários de empresas envolvidas para a delegacia, onde prestaram depoimento.

Como Funcionava a Fraude nas Máquinas de Pelúcia
Segundo o delegado Pedro Brasil, o esquema envolvia a instalação de um contador de jogadas nas máquinas, o que interferia na corrente elétrica responsável por alimentar a garra que fisga as pelúcias. Na prática, isso significava que a maioria das tentativas dos jogadores estava destinada ao fracasso, já que a máquina não tinha força suficiente para capturar o bichinho de pelúcia, a não ser que um certo número de créditos fosse gasto.
No galpão em Inhaúma, Zona Norte do Rio, onde funcionava a sede da empresa Black Entertainment, foram encontradas dezenas de máquinas e centenas de brinquedos pirateados. As máquinas estavam destinadas a shoppings localizados em regiões como Sulacap, Bangu, Barra da Tijuca, Recreio dos Bandeirantes e Ilha do Governador. Todos os equipamentos apreendidos tinham o contador de jogadas, que permitia à quadrilha fraudar o sistema em favor do operador da máquina.
Ligação com o Jogo do Bicho e Milícia
O delegado responsável pelo caso destacou que o material encontrado dá fortes indícios de que organizações criminosas, como o jogo do bicho ou a milícia, podem estar por trás da operação. Além das máquinas adulteradas, as investigações também revelaram o uso de pelúcias falsificadas, que foram distribuídas nas máquinas dos shoppings do Grande Rio.

Desdobramentos da Operação
As investigações, que começaram em maio de 2024 durante a primeira fase da “Operação Mãos Leves”, apontam que o golpe é um processo fraudulento desenhado para enganar os consumidores. Eles acreditavam que o sucesso na captura dos bichinhos dependia de sua habilidade, quando, na verdade, era manipulada pela sorte, conforme indicam os exames periciais do Instituto de Criminalística Carlos Éboli (ICCE).
Durante a operação, foram apreendidos celulares, computadores, notebooks, tablets e documentos que ajudarão a Polícia Civil a desvendar a estrutura completa do grupo criminoso. O objetivo é identificar outros membros da organização e possíveis ligações com grupos maiores, como a milícia ou o jogo do bicho. Os suspeitos poderão responder por crimes como fraude contra a economia popular, contra o consumidor, contra a propriedade imaterial, associação criminosa e contravenção de jogo de azar. Além disso, a investigação continuará para apurar possíveis práticas de lavagem de dinheiro.
