A Polícia Civil do Rio de Janeiro iniciou, nesta terça-feira (15/04), a Operação Adolescência Segura, com o objetivo de desarticular uma das maiores organizações criminosas do país, especializada em crimes cibernéticos voltados a crianças e adolescentes. A ação, que abrange sete estados, já resultou na prisão de dois adultos e na apreensão de seis menores.
A operação é conduzida pela Delegacia da Criança e do Adolescente Vítima (Dcav-RJ), com apoio do CyberLab da Secretaria Nacional de Segurança, do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP). Foram cumpridos 2 mandados de prisão temporária, 20 mandados de busca e apreensão e 7 de internação provisória em Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.
O grupo investigado é responsável por uma série de crimes graves no ambiente virtual, como tentativa de homicídio, indução ao suicídio, incentivo à automutilação, armazenamento e divulgação de pornografia infantil, maus-tratos a animais e apologia ao nazismo. As investigações começaram em fevereiro de 2025, após um ataque em que um adolescente atirou coquetéis molotov em um morador de rua, queimando 70% do seu corpo, na Zona Oeste do Rio. O crime foi transmitido ao vivo em um servidor do Discord, com cerca de 220 participantes.
De acordo com a polícia, o grupo se organizava por meio de plataformas criptografadas, como Discord e Telegram, promovendo competições envolvendo crimes de ódio. “Os administradores do servidor refletiam uma verdadeira organização criminosa, altamente especializada em crimes cibernéticos, com foco em crianças e adolescentes”, afirmou a Dcav.
A investigação também revelou que o grupo manipulava psicologicamente suas vítimas, principalmente crianças em idade escolar, e oferecia recompensas para aqueles que se destacassem nas atividades criminosas.
Os envolvidos podem ser responsabilizados por diversos crimes, com penas que podem ultrapassar 10 anos de reclusão. Além disso, a operação contou com a colaboração de agências internacionais, como a HSI e a NCMEC, que emitiram relatórios e contribuíram para o avanço das investigações.
