Um bebê recém-nascido foi encontrado dentro de uma sacola de lixo por um gari durante a coleta de resíduos na última terça-feira (1º). O trabalhador, Samuel da Silva Santos, agora quer adotar a criança e dar a ela um novo lar.
Samuel, que é pai de dois filhos de 10 e 14 anos, revelou que nunca havia pensado em adoção antes, mas, após encontrar a menina, sentiu que deveria cuidar dela. “Os irmãos já estão separando um quarto da casa para ela. Falei para eles que tem que esperar, tem muito trabalho para acontecer. Minha esposa achou que era só trazer a bebê para casa e eu tive que avisar que não pode levar para casa sem passar pela Justiça”, contou Samuel.
Segundo ele, um dos principais motivos para querer adotá-la é poder contar a história de como ela foi encontrada, para que a menina cresça sabendo sua origem. “Eu quero contar a história de como ela foi encontrada, para que ela não fique perdida no mundo. Mas, por enquanto, vou esperar todos os procedimentos para entrar com o pedido”, afirmou.
O processo de adoção, no entanto, segue regras específicas. Inicialmente, a Vara da Infância e da Juventude encaminha o bebê para uma unidade de acolhimento, enquanto são feitas buscas por familiares que possam assumir sua guarda. Somente caso nenhum responsável seja localizado ou a família se recuse a cuidar da criança, o processo de adoção pode ser iniciado oficialmente.
Anderson Nunes, outro gari que presenciou o resgate, afirmou que essa foi a experiência mais emocionante que viveu em 16 anos de trabalho na Comlurb. “Eu já vivi enchente, desabamento, protesto. Mas estar em uma situação dessas, em que você salva uma vida, é emocionante demais. Demos o nome de Vitória para a bebê. Porque é isso que ela é. Vamos torcer para que encontrem a família dela, e se encontrarem, vou estar visitando. Independente de qualquer coisa”, disse.
A recém-nascida foi encaminhada para a Maternidade Herculano Pinheiro, em Madureira, onde permanecerá até atingir o peso ideal para alta. Enquanto isso, a 29ª DP (Madureira) segue investigando o caso para identificar quem abandonou a criança.
Samuel, emocionado, finalizou: “Se não encontrarem a família, ela já tem uma. Ela criou um vínculo com a gente, e esse vínculo não pode ser tirado”.
