Rio de Janeiro, RJ – Há mais de uma década, a pequena Sofia Langenbach, hoje com 14 anos, lida com uma síndrome genética rara que a aflige com convulsões desde a infância. Os pais dela, Margarete Brito e Marcos Lins Langenbach, enxergaram na maconha medicinal uma possibilidade de melhorar a qualidade de vida da filha, inspirando-os a fundar, em 2020, a Associação de Pesquisa e Pacientes de Cannabis (APEPI).
Inicialmente, com pés de maconha cultivados no quintal de sua casa na Urca, Zona Sul do Rio, Margarete e Marcos produziam o necessário para o tratamento de Sofia, compartilhando o óleo excedente com outras famílias necessitadas. No entanto, a demanda rapidamente aumentou, e a plantação foi transferida para uma fazenda em Paty do Alferes, no interior do estado, que atualmente distribui maconha medicinal para os 7,3 mil associados em todo o país.
A fazenda é dividida em quatro setores: cultivo, beneficiamento primário, laboratório e infraestrutura, abastecendo a cadeia de fornecimento. São Paulo e Rio de Janeiro são os estados que mais demandam o produto. Para ter acesso, é necessário obter uma receita médica e se associar à APEPI. A mensalidade é de R$ 29,90, e os produtos são entregues de três maneiras: retirada direta na sede da associação no centro do Rio, entrega por motoboys ou pelos correios.
No entanto, é importante destacar que o cultivo de cannabis não é regulamentado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que esclarece que “não há autorizações da Anvisa para o plantio de cannabis para uso pessoal ou para associações de pacientes”. A plantação só é permitida por decisão judicial, como é o caso da APEPI. A Anvisa autoriza uma única plantação “para fins de pesquisa” na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
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