Um coronel da reserva da Polícia Militar, denunciado pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) sob acusação de envolvimento com milicianos da Zona Oeste, foi nomeado para um cargo estratégico na PortosRio. Marcelo Moreira Malheiros assumiu, no mês passado, o posto de assessor técnico da presidência da estatal, com um salário bruto de quase R$ 17 mil.
A PortosRio é a autoridade portuária responsável pela gestão dos portos do Rio de Janeiro, Itaguaí, Niterói, Arraial do Cabo e Angra dos Reis.
Veja outro caso envolvendo a milícia no Rio: https://www.cic7noticias.com/casos-de-policia/miliciano-atira-em-motoboy-por-engano-ao-achar-que-ele-era-criminoso-de-faccao-rival-e-deixa-vitima-ir-embora-apos-perceber-erro-no-catiri-em-bangu-veja-o-video/
Segundo a denúncia do MPRJ apresentada em 2024, Malheiros — que na época comandava o policiamento na Zona Oeste — era chamado de “pai” por milicianos que atuam na comunidade do Bateau Mouche, em Jacarepaguá.
Os promotores afirmam que o oficial vazava informações sobre operações policiais e chegou a pedir que os criminosos enviassem mensagens elogiando sua gestão para ajudá-lo a obter “apoio político” na região. Na ocasião, a Justiça determinou seu afastamento das funções públicas.
A nomeação de Malheiros foi assinada pelo presidente da PortosRio, Flávio Vieira da Silva, aliado de Waguinho, ex-prefeito de Belford Roxo e atual diretor de Relações Institucionais da mesma estatal. Em 2022, o coronel participou ativamente de campanhas eleitorais ao lado de Waguinho.
O que dizem as partes
- Defesa de Marcelo Malheiros: Afirmou que o coronel obteve um habeas corpus no TJRJ em julho de 2025, o que permitiu seu retorno a funções públicas. Ressaltou que ele é inocente, que não há condenação e que ele é apenas citado na denúncia.
- PortosRio: Declarou que a nomeação seguiu todos os requisitos legais e procedimentos administrativos. A estatal afirmou que cumprirá imediatamente qualquer determinação judicial que venha a surgir.
- Polícia Militar: Informou que o Procedimento Administrativo Disciplinar contra o oficial está suspenso aguardando a decisão da Justiça e que não possui ingerência sobre os cargos ocupados por ele na reserva.
- Waguinho: Declarou que não participa de processos de nomeação na companhia.
