Foi enterrado nesta quarta-feira (23) o corpo do cantor e compositor Erasmo Carlos, que morreu na terça (22), aos 81 anos.
A despedida do Tremendão foi no cemitério Memorial do Carmo, no Caju, Zona Portuária do Rio, fechada para o público, restrita a parentes e amigos, a pedido da família.
“Quem quiser homenageá-lo, escute suas músicas, suas mensagens. Nada o faria mais feliz e amado”, dizia a nota divulgada pela equipe de Erasmo.
“No dia do músico, nosso amado Erasmo Esteves, o Erasmo Carlos, o Gigante Gentil, o Tremendão, o Pai do Rock Nacional, se despediu. Erasmo criou, amou, acompanhou a cada um de nós nos momentos importantes das nossas vidas. E além de todas as maravilhas que compôs e cantou durante décadas, ele nos deixou recados: o futuro pertence à jovem guarda. E que é preciso saber viver! Vamos continuar cuidando das novas gerações, por nós e por ele”, acrescenta o texto.
O Tremendão, como era chamado, deixa a esposa, Fernanda Passos, e dois filhos, Gil e Leonardo — o terceiro, Carlos Alexandre, morreu em acidente de moto em 2014.
Um dos pioneiros do rock e símbolo da Jovem Guarda, o artista passou os últimos momentos ao lado da mulher, Fernanda Passos, no Hospital Barra D’Or, na Zona Oeste do Rio.
Em meados de outubro, enfrentou uma síndrome edemigênica, que causa acúmulo de líquido nos tecidos do corpo, provocando edemas, inchaços. A síndrome é consequência de problemas em órgãos como fígado, rins e coração.
No último dia 2, o artista comemorou a alta após duas semanas de internação, mas o estado de saúde se agravou, ele voltou para o mesmo hospital e precisou ser intubado.
O cantor morreu no fim da manhã. À noite, a família divulgou uma nota informando que Erasmo teve um quadro de paniculite agravado por sepse de origem cutânea. A paniculite é a inflamação da camada de gordura que fica abaixo da pele e, no caso dele, agravada por uma infecção generalizada.
Mais de 600 músicas
Autor de mais de 600 músicas e de clássicos como “Sentado à Beira do Caminho”, “Minha Fama de Mau”, “Mulher”, “Quero que tudo vá para o inferno”, “Mesmo que seja eu” e “É proibido fumar”, o artista deixa uma legião de fãs e amigos que fez pela estrada.
Foi na Tijuca onde nasceu Erasmo Esteves, em 5 de junho de 1941. Grandes nomes da MPB participaram da infância do cantor, no bairro da Zona Norte do Rio, como Tim Maia e Jorge Ben Jor.
Na adolescência, gostava de se reunir com a turma no Bar do Divino, na Rua do Matoso. Foi nessa época em que ele conheceu Roberto Carlos, durante um concerto de Bill Haley no Maracanãzinho – o que teria aberto os olhos do carioca para começar seu próprio grupo.
Assim, antes da carreira solo, o artista passou por outros grupos musicais, como os Snakes, ao lado de outros tijucanos, mas que durou só até 1961. Sem acreditar que conseguiria seguir sozinho na música, ele decidiu, então, trabalhar como assistente do apresentador e produtor Carlos Imperial, que o ajudou a dar o próximo passo, rumo a outro grupo musical.