Uma investigação da Polícia Federal revelou que a munição usada no assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes foi comprada pela própria corporação. O relatório de investigação e a delação do ex-policial militar Élcio de Queiroz, que apontou Ronnie Lessa como autor dos disparos, não citam informações sobre a origem das balas utilizadas no duplo homicídio.
O ex-PM Élcio de Queiroz trouxe novos elementos para a apuração do caso, reforçando o envolvimento de Ronnie Lessa no crime, o que já havia sido descoberto na primeira fase da investigação. No entanto, tanto a delação do réu quanto o relatório da Polícia Federal não mencionam a proveniência da munição usada.
A suspeita de desvio de munição pela PF foi descoberta após o assassinato da vereadora Marielle e do motorista Anderson Gomes. Balas do mesmo lote UZZ 18 também foram encontradas em outros crimes no Rio de Janeiro, tanto em áreas controladas por milicianos quanto por traficantes, nas regiões Oeste e Norte.
A perícia técnica da Polícia Civil do Rio, na primeira fase da investigação, constatou que oito projéteis encontrados nas vítimas e no veículo em que estavam pertenciam ao lote UZZ 18, produzido pela marca brasileira CBC, e um deles era importado da marca Indumil.
O lote UZZ 18 foi vendido exclusivamente para a Polícia Federal em 2006 e, um ano depois, foi distribuído para todas as superintendências do Brasil. Apenas para a do Rio de Janeiro, foram enviadas 200 mil unidades com balas de diferentes calibres, como 9mm, 5,56 e 7,62, estes últimos utilizados em fuzis, o que dificulta a identificação do armamento utilizado nos crimes.
Em casos anteriores, a identificação do lote do projétil foi fundamental para descobrir a origem da munição utilizada em crimes. No assassinato da juíza Patrícia Acioli, em 2011, em Niterói, a identificação do lote auxiliou na condenação de 11 policiais militares envolvidos na morte da magistrada.
A Delegacia de Homicídios da Capital (DHC) encaminhou um ofício à Polícia Federal questionando sobre a munição utilizada no caso Marielle, e a corporação respondeu que a aquisição do lote foi feita por meio de um processo licitatório conduzido por Brasília. A PF afirmou que não havia informações sobre desvio e que os projéteis do lote foram usados durante os Jogos Pan-Americanos de 2007, inclusive em treinamentos. Entretanto, a PF instaurou uma sindicância para investigar o caso.
Atualmente, o resultado dessa investigação está sob sigilo, levantando questionamentos sobre a procedência da munição utilizada no crime que chocou o país. A polêmica em torno da munição adquirida pela Polícia Federal coloca ainda mais pressão sobre as autoridades para que o caso seja esclarecido e a justiça seja feita em relação ao assassinato da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.
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