Integrantes do grupo de elite da Polícia Federal e da tropa de choque da Polícia Militar do Distrito Federal cercaram, na noite deste quarta-feira (12), o hotel onde está hospedado o o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
O reforço da segurança em torno do hotel foi feito após atos de vandalismo próximo ao local: manifestantes incendiaram carros, ônibus, tentaram invadir o prédio da diretoria-geral da PF e se aproximar do hotel onde Lula está.
Enquanto manifestantes usaram pedras, pedaços de madeira, bombas caseiras e fogos de artifício, a polícia utilizou gás lacrimogêneo e bombas de efeito moral.
Manifestantes chegaram a atear fogo em carros e ônibus e praticaram atos de vandalismo. Depois, mais dispersos, passaram a se movimentar na direção do hotel onde está Lula, que teve sua segurança reforçada.
Apoiadores radicais do presidente Jair Bolsonaro (PL) deflagraram uma série de atos de vandalismo em Brasília na noite de segunda-feira (12). #CIC7 pic.twitter.com/7I8fmWzSfe
— CIC7 Notícias (@Cic7noticias) December 13, 2022
Após o isolamento do local e do reforço do policiamento nas redondezas, a assessoria de Lula informou que ele não deixará o hotel e passará a noite lá.
“Nas últimas horas aumentou a nossa preocupação porque esses terroristas, apoiados por outros, passaram a cercar os arredores do hotel onde está hospedado o presidente eleito. Isso nos traz enorme preocupação”, disse o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) à CIC7. Randolfe integra a equipe de transição de governo.
Apesar da declaração de Randolfe, o senador eleito Flávio Dino, indicado por Lula como ministro da Justiça do próximo governo, afirmou em um tuíte que a “a segurança do presidente Lula está garantida”.
Horas após a cerimônia de diplomação de Lula pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) os ataques começaram, após as 18h30, hora em que o cacique José Acácio Serere Xavante foi preso nas proximidades da Torre de TV.
O ministro do STF Alexandre de Moraes determinou a prisão temporária — a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) — do indígena José Acácio Serere Xavante por possíveis práticas ilícitas em atos antidemocráticos.
Logo após a ordem de prisão, manifestantes caminharam até o prédio da PF e tentaram invadir o local, onde o Xavante segue detido.
O STF, em nota no Twitter, afirmou que o ministro Alexandre de Moraes atendeu a um pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR) e “decretou a prisão temporária, pelo prazo de dez dias, do indígena José Acácio Serere Xavante, por indícios da prática de crimes em atos antidemocráticos.”
“Segundo a PGR, Serere Xavante vem se utilizando da sua posição de cacique para arregimentar indígenas e não indígenas para cometer crimes, mediante ameaça de agressão e perseguição do presidente eleito (Lula) e de ministros do STF”, afirmou a Corte, na rede social.
“A prisão se fundamentou na necessidade de garantia da ordem pública, diante da suposta prática dos crimes de ameaça, perseguição e abolição violenta do estado democrático de direito.”
Discussão entre petistas e bolsonaristas
Em nota, a Polícia Militar do Distrito Federal informou que o tumulto começou após a prisão de um líder indígena. “Índios tentam invadir o prédio da PF na Asa Norte”, destaca o comunicado, ao afirmar que a PM deslocou guarnições “para controlar a situação com a aplicação das forças táticas e Batalhão de Choque”.
Mais cedo, a Polícia Militar do Distrito Federal também já havia reforçado a segurança no hotel de Lula após uma discussão entre apoiadores do presidente Jair Bolsonaro e militantes petistas.
