A rotina de clínicas da família e centros municipais de saúde do Rio tem sido constantemente interrompida pela violência. De janeiro a julho deste ano, os atendimentos nessas unidades precisaram ser suspensos 516 vezes devido a tiroteios, confrontos entre facções ou operações policiais, segundo levantamento da Secretaria Municipal de Saúde.
Em média, 38 unidades de atenção primária sofrem impactos por mês. As zonas Norte e Oeste concentram a maior parte das paralisações. Atualmente, três clínicas da família permanecem fechadas — duas em Santa Cruz e uma em Costa Barros — sem previsão de reabertura.
Além da interrupção de serviços, a violência prejudica visitas domiciliares feitas por agentes de saúde. Entre janeiro e julho, cerca de 88 unidades por mês deixaram de realizar esse trabalho por falta de segurança.
O levantamento também aponta prejuízos financeiros. De janeiro a setembro, R$ 215 mil foram gastos com reparos, manutenção e reposição de equipamentos danificados em meio a tiroteios.
Os números reforçam a dimensão da crise. De acordo com o Instituto Fogo Cruzado, até agosto foram registrados 1.162 tiroteios na cidade do Rio, que resultaram em 285 mortos e 317 feridos.
Na última quinta-feira (4), dez unidades de saúde tiveram atendimentos impactados durante uma operação das polícias Civil e Militar contra o Terceiro Comando Puro (TCP), nas regiões da Vila Aliança e Senador Camará, na Zona Oeste, que terminou com seis mortos.
