O rapper Mauro Davi dos Santos Nepomuceno, conhecido como Oruam, de 23 anos, se entregou à Polícia Civil do Rio de Janeiro na tarde desta terça-feira (22), pouco antes das 18h, na Cidade da Polícia, Zona Norte do Rio. Acompanhado de advogados, da mãe, Márcia Gama, e da noiva, Fernanda Valença, o cantor atendeu a um mandado de prisão preventiva expedido pela Justiça do Rio, após ser indiciado por sete crimes: tráfico de drogas, associação ao tráfico, resistência qualificada, desacato, dano ao patrimônio público, ameaça e lesão corporal.
A prisão preventiva, decretada pela juíza Ane Cristine Scheele Santos, foi motivada por uma operação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) na noite de segunda-feira (21), na residência de Oruam, no Joá, Zona Oeste. Os agentes buscavam cumprir um mandado de busca e apreensão contra um adolescente de 17 anos, conhecido como “Menor Piu”, apontado como ladrão de veículos e segurança de Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, líder do Comando Vermelho (CV) no Complexo da Penha. Durante a abordagem, Oruam e amigos teriam atacado os policiais com pedras e xingamentos, ferindo um agente e permitindo a fuga do menor, que também se entregou na terça-feira.
O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, classificou Oruam como “criminoso faccionado” ligado ao CV, destacando que a residência do rapper no Joá já foi palco de operações anteriores, como a prisão de Yuri Pereira Gonçalves, foragido por organização criminosa, em fevereiro de 2025. “Se havia dúvida se Oruam era um artista periférico ou marginal, hoje temos certeza de que é um bandido da pior espécie”, declarou Curi ao Bom Dia Rio.
Antes de se entregar, Oruam postou um vídeo nas redes sociais, afirmando: “Vou me entregar, não sou bandido. Vou provar que não sou bandido e vou dar a volta por cima, vencer através da minha música.” Ele pediu desculpas aos fãs, dizendo estar “abatido” e “tonteado” pelo ocorrido, mas reforçou sua confiança: “Tô com Deus e tá tranquilão. Sou forte!” A defesa do rapper alega abuso de autoridade por parte dos policiais, afirmando que não foram encontradas drogas ou produtos ilícitos na residência e que a resistência ocorreu devido à abordagem policial. Fernanda Valença descreveu a operação como abusiva, alegando que os agentes “entraram com fuzis, apontaram para nossa cachorra e reviraram a casa sem mandado”.
O Ministério Público do Rio (MPRJ) destacou que a casa de Oruam tornou-se um “refúgio de criminosos foragidos”, reforçando a prisão preventiva para garantir a ordem pública. A juíza justificou a medida devido ao “risco concreto e atual à segurança da coletividade”. Oruam, que tem 9,1 milhões de seguidores no Instagram e 13 milhões de ouvintes mensais no Spotify, enfrenta também denúncias ao Ministério Público Federal (MPF) por promoção de apostas ilegais e investigações por lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.
