O policial militar Henrique Velozo, acusado de matar o atleta Leandro Lo em agosto de 2022, foi absolvido após a maioria dos jurados reconhecer a tese de legítima defesa durante julgamento concluído na noite de sexta-feira (14), em São Paulo. O réu deixou o Presídio Militar Romão Gomes na madrugada deste sábado (15).
O caso ocorreu durante um show no Esporte Clube Sírio, em Indianópolis, Zona Sul da capital paulista, quando o lutador foi atingido por um disparo na cabeça depois de uma discussão envolvendo o policial, que estava de folga. O atleta foi socorrido e encaminhado ao Hospital Municipal Arthur Ribeiro de Saboya, onde teve morte cerebral confirmada horas depois.
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Testemunhas relataram que o policial se aproximou da mesa onde Leandro estava com amigos e, após um desentendimento, foi imobilizado pelo lutador. Em seguida, segundo depoimentos colhidos na investigação, o PM se levantou, caminhou alguns passos e efetuou o disparo.
O reconhecimento do autor do tiro foi feito por meio de imagens utilizadas pelo clube, que controla a entrada de pessoas portando arma de fogo. O caso foi inicialmente registrado como tentativa de homicídio no 16º DP (Vila Clementino), posteriormente reclassificado após a confirmação da morte do atleta.
A Polícia Militar informou que lamentou o ocorrido e instaurou procedimento administrativo para apuração interna, além de ter colaborado com o inquérito policial. O Esporte Clube Sírio afirmou que prestou apoio às autoridades durante a investigação.
O julgamento teve início na terça-feira (12). Ao todo, nove testemunhas foram ouvidas, além do próprio acusado. A expectativa do Ministério Público era por condenação, mas ao menos quatro dos sete jurados votaram pela absolvição com base na legítima defesa. A sentença foi proferida pela juíza Fernanda Jacomini, da 1ª Vara do Júri.
Leandro Lo, que tinha 33 anos, era considerado um dos principais nomes da história do jiu-jítsu, com títulos mundiais em diferentes categorias, além de conquistas em Copas do Mundo e Pan-Americanos.
A família manifestou indignação com a decisão. O Ministério Público afirmou que avalia recursos e apontou possíveis nulidades no processo.
