Uma investigação recente revelou um esquema de grilagem envolvendo um médico do interior de São Paulo, Ricardo Stoppe Júnior, que teria se tornado proprietário de vastas áreas da Floresta Amazônica, acumulando cerca de R$ 800 milhões.
Ricardo Stoppe Júnior, oriundo de Araçatuba, é acusado de fraudar documentos para adquirir ilegalmente uma área equivalente ao tamanho do Distrito Federal. A investigação aponta que, ao longo de mais de 20 anos, ele se tornou um dos maiores grileiros de terras no Norte do Brasil.
A Polícia Federal afirma que Stoppe Júnior lucrou R$ 180 milhões com projetos de créditos de carbono e outros R$ 600 milhões com a extração ilegal de madeira.
O Esquema
Segundo as investigações, Stoppe Júnior teria montado um complexo esquema de falsificação de documentos que o tornou, no papel, proprietário de mais de 500 mil hectares de terras na Amazônia, a maioria pertencente à União. Manipulando registros históricos, ele e seus associados alteraram os documentos oficiais para dar uma aparência de legalidade às aquisições.
“Houve fraude. Uma mesma pessoa forjou essas duas folhas e inseriu de forma fraudulenta nos livros”, declarou João Pedro Alves Batista, perito criminal da Polícia Federal.
A perícia realizada analisou livros de registros de imóveis rurais, com quase 100 anos de idade, e comprovou que a organização liderada por Stoppe Júnior inseriu páginas falsas nesses registros, permitindo a apropriação ilegal das terras. O esquema envolveu o pagamento de propinas a funcionários de cartórios locais e do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), garantindo a validação das operações.
As negociações entre os envolvidos no esquema foram realizadas principalmente por telefone.
