Contrato milionário da esposa de Alexandre de Moraes com o Banco Master pagaria R$ 3,6 milhões por mês, revela investigação

Por Vitor Lobo - Rio Janeiro

Publicado há 10 meses ago

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O contrato firmado entre o Banco Master e o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes, virou ponto central das preocupações da defesa do banco após ter sido identificado pela Polícia Federal durante a Operação Compliance Zero. O documento, encontrado em formato digital no celular do controlador da instituição, Daniel Vorcaro, previa o pagamento mensal de R$ 3,6 milhões por 36 meses, totalizando R$ 129 milhões, caso fosse integralmente cumprido.

As informações constam de arquivos localizados pela PF no aparelho apreendido com Vorcaro. O contrato tinha escopo amplo, abrangendo representação jurídica do banco em qualquer esfera necessária, sem especificar causas ou processos específicos. O Master entrou em liquidação antes que o valor total fosse executado.

Mensagens analisadas pela investigação apontam que os pagamentos ao escritório Barci de Moraes eram tratados por Vorcaro como prioridade absoluta dentro do banco, com determinação de que não fossem interrompidos sob nenhuma circunstância.

Apreensão e impacto na defesa

O contrato ganhou destaque após a operação da PF que prendeu Vorcaro e outros seis executivos, além de apreender celulares, notebooks e documentos relacionados à gestão do Master. A existência do contrato não era desconhecida, mas o valor, considerado muito acima do mercado, gerou forte reação entre advogados ligados à instituição.

Sem retorno das partes envolvidas

A equipe de reportagem da coluna procurou o escritório de Viviane Barci de Moraes para esclarecer quanto foi efetivamente pago e por quais serviços, mas não houve resposta. Uma funcionária afirmou que ninguém poderia comentar o caso ou fornecer um contato oficial para envio de questionamentos. O Banco Master também não respondeu.

O ministro Alexandre de Moraes, procurado por meio da assessoria do STF, não se manifestou. O espaço segue aberto para eventuais declarações.

Atuação em queixa-crime

Entre os processos patrocinados pelo escritório, está uma queixa-crime apresentada em abril de 2024 por Vorcaro e pelo Master contra o investidor Vladimir Timerman, da Esh Capital, que mantém litígio com o empresário Nelson Tanure, acionista da Gafisa. O documento acusa Timerman de caluniar Vorcaro ao associá-lo a supostas operações fraudulentas envolvendo a Gafisa e o Fundo Brazil Realty, do qual o Master era cotista.

Além de Viviane, outros 10 advogados assinam a queixa, incluindo os filhos do ministro, Alexandre e Giuliana Barci de Moraes. Vorcaro foi derrotado na primeira e segunda instâncias, mas ainda cabe recurso.

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Por Vitor Lobo - Rio Janeiro

Publicado há 10 meses ago

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