Um adolescente autista foi contido com violência dentro de uma escola particular no Méier, Zona Norte do Rio de Janeiro, segundo denúncia feita por seus pais. Imagens do episódio mostram o jovem sendo imobilizado por um funcionário. “Dá pra ver ele sendo segurado pelo pescoço, com o braço entortado. Não tem necessidade dessa força toda”, afirmou a mãe.
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Além da violência, a família questiona a segurança da escola. A mãe relata que o portão de saída pode ser aberto por qualquer aluno. “Tem um botão ao lado. Qualquer criança consegue sair”, disse. Quatro dias após o primeiro episódio, o adolescente tentou deixar a unidade novamente, e os responsáveis não foram informados. “Só fiquei sabendo depois. O diretor levou ele direto numa viatura para o Conselho Tutelar”, contou.
A Polícia Militar confirmou que foi acionada pela escola nas duas ocasiões e, na segunda fuga, agiu conforme orientação da instituição, conduzindo o estudante ao Conselho Tutelar para mediação com a família.
O colégio decidiu expulsar o aluno. Em comunicado enviado aos pais, afirmou que, “após avaliação técnica e pedagógica, constatou-se que o ambiente escolar regular não tem mais condições de garantir, com segurança, o direito à aprendizagem do aluno”. A direção recomendou o encaminhamento do jovem a uma instituição especializada.
Para os pais, a decisão é discriminatória. Eles registraram o caso na Delegacia do Méier e acionaram a Comissão de Acompanhamento de Políticas Públicas para Autistas e Neurodivergentes da Câmara dos Vereadores do Rio.
O presidente da comissão, vereador Paulo Messina, declarou que as atitudes do colégio ferem a Lei Brasileira de Inclusão. “A escola tem que estar preparada para tratar cada aluno individualmente. Isso é lei, não é uma escolha”, afirmou.
A mãe do estudante também criticou a falta de mediação adequada. “Eles pediram um monte de laudos e nada foi feito. A mediadora só brincava com ele. Na sala, ele ficava num canto sem fazer nada”, relatou.
A Casa de Lázaro, mantenedora da escola, lamentou o ocorrido e se solidarizou com todos os envolvidos. A direção informou que a nova gestão está adotando medidas administrativas para apurar os fatos, alinhar condutas e acolher a família.
Para a professora universitária e doutora em Educação, Márcia Pletsch, o caso demonstra falta de preparo da equipe pedagógica. “Todos os profissionais da educação precisam estar capacitados. É possível trabalhar o autocontrole do aluno com estratégias adequadas, apoio de professores e terapeutas. Isso requer um trabalho cooperativo e qualificado”, explicou.
O Conselho Tutelar do Méier acompanha o caso, que corre sob segredo de justiça.
