A Comissão de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) marcou para esta terça-feira (23), às 9h, uma escuta reservada com o dançarino Gugu Hawaiano, integrante do grupo de funk Os Hawaianos. Ele foi detido durante uma operação da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core), na última sexta-feira (20), na Cidade de Deus, Zona Oeste do Rio, e liberado em seguida.
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Imagens que circulam nas redes sociais mostram o artista algemado, com o rosto ensanguentado, sendo conduzido por um policial em uma viela da comunidade. A gravação também registra a presença da esposa de Gugu, bastante abalada, e a fachada de um bar que seria de propriedade dele. Em meio à confusão, uma moradora protestou contra a ação: “Olha o que eles fazem com o trabalhador. Isso é maior covardia”.
Colegas do grupo musical também se manifestaram. O coreógrafo Jonas Emanuel lembrou a importância de Os Hawaianos para a cena cultural do Rio desde os anos 2000 e afirmou que a situação envolve a necessidade de garantir direitos básicos. “Gugu é um trabalhador da cultura, que move a economia criativa do estado. Precisamos assegurar que todos sejam tratados com dignidade”, disse.
De acordo com a Comissão, o atendimento ao dançarino será feito em ambiente protegido, como espaço de escuta ativa. Após o depoimento, poderão ser adotadas medidas como encaminhamento à Defensoria Pública, caso ele não tenha advogado, e a expedição de ofícios a órgãos competentes para apurar possíveis violações.
A operação da Core, que resultou na detenção do artista, tinha como objetivo localizar suspeitos de envolvimento no assassinato do agente José Antônio Lourenço, morto em maio deste ano durante uma ação policial na mesma comunidade. Na última sexta, a ação contou com sobrevoo de helicópteros e bloqueios na Rua Edgard Werneck. Foram apreendidos um fuzil, uma pistola, explosivos e drogas. Um homem foi preso, e outro suspeito, identificado como Mateus Inácio da Silva, o “MT”, morreu em confronto.
