A Justiça determinou o bloqueio de R$ 9 milhões do Fundo Estadual de Saúde para garantir repasses obrigatórios à Prefeitura de Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense. A decisão foi comemorada nesta segunda-feira (17) pelo prefeito Wladimir Garotinho, que usou as redes sociais para classificar a medida como uma vitória da população diante da suposta omissão da Secretaria de Estado de Saúde.
Segundo o prefeito, o município vinha há meses cobrando os valores devidos pelo Governo do Estado, sem sucesso. A decisão judicial, segundo ele, comprova que os repasses não estavam sendo feitos, contrariando a versão apresentada pelo presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, que afirma que todos os pagamentos estão em dia.
Nos bastidores, a decisão acirra ainda mais a rivalidade política entre Wladimir e Bacellar, ambos com forte base eleitoral em Campos. Aliados do prefeito afirmam que a retenção dos recursos pode ter sido motivada por perseguição política, com Bacellar interferindo para travar os repasses — algo que o deputado nega veementemente. Para Bacellar, Wladimir estaria construindo uma narrativa de vítima para desviar a atenção de falhas em sua gestão.
Contudo, a decisão judicial desmonta essa justificativa. O bloqueio direto do valor no Fundo Estadual reforça que havia, sim, pendências nos repasses obrigatórios, como apontado pela Prefeitura. A Procuradoria do Município informou que os recursos bloqueados serão usados para manter serviços de saúde e garantir pagamentos essenciais a prestadores e contratos emergenciais.
O Governo do Estado ainda não se pronunciou oficialmente sobre a decisão. Enquanto isso, a população de Campos segue enfrentando os impactos diretos dessa disputa, sobretudo na manutenção da saúde pública.
