A disputa por vagas na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, a Alerj, já começou a movimentar os bastidores políticos da Região dos Lagos antes mesmo do início oficial da campanha eleitoral de 2026. Em meio ao período de pré-campanha, quatro nomes aparecem com maior projeção regional e vêm intensificando agendas, conversas com lideranças, presença nas redes sociais e movimentos de aproximação com grupos políticos locais.
Entre as principais pré-candidaturas colocadas no cenário regional estão o ex-prefeito de Iguaba Grande, Vantoil Martins; o vereador de Araruama, Thiago Moura; a médica Dra. Gabriela Azevedo, irmã do prefeito de Cabo Frio, Dr. Serginho; e a jornalista Ana Paula Mendes, ex-apresentadora da InterTV. Cada um desses nomes parte de uma base municipal diferente, mas todos buscam ampliar sua presença para além de suas cidades de origem e disputar votos em toda a Região dos Lagos.
O movimento ocorre em um ambiente político ainda pouco visível para o eleitor comum. Até o momento, não há um quadro público consolidado de pesquisas registradas específicas para medir a disputa regional por vagas na Alerj. A Justiça Eleitoral mantém sistema próprio para consulta de levantamentos registrados, mas, no plano local, boa parte das informações que circula nos bastidores ainda vem de sondagens internas, conversas políticas e avaliações feitas pelas próprias campanhas.
Esse cenário torna a disputa ainda mais estratégica. Sem números públicos definitivos, os pré-candidatos trabalham para consolidar nome, identidade política e base territorial antes da largada oficial da campanha. A construção de apoios em municípios vizinhos, a formação de nominatas competitivas, o alinhamento com lideranças estaduais e a capacidade de transformar reconhecimento local em voto regional serão fatores decisivos.
No caso de Vantoil Martins, a pré-candidatura parte de Iguaba Grande, onde ele construiu sua trajetória como ex-prefeito. O nome de Vantoil tem aparecido em articulações estaduais e em encontros políticos voltados ao fortalecimento de sua presença no interior do Rio de Janeiro. Em janeiro, por exemplo, ele participou de encontro com Eduardo Paes, em movimento interpretado nos bastidores como parte das articulações para 2026.
Já Thiago Moura, vereador de Araruama, tenta transformar sua atuação municipal em uma candidatura regional. O parlamentar aparece como um dos nomes em ascensão no debate político da cidade e da Região dos Lagos. Reportagem publicada por O Dia citou levantamento em Araruama no qual Thiago aparecia com 20,2% das intenções de voto para deputado estadual no município, à frente de outros nomes locais no cenário apresentado. Esse dado, embora localizado, ajuda a explicar por que a pré-candidatura passou a ser observada com mais atenção nos bastidores regionais.
Em Cabo Frio, um dos principais colégios eleitorais da Região dos Lagos, a disputa tem dois nomes em evidência. A primeira é Dra. Gabriela Azevedo, médica cardiologista e irmã do prefeito Dr. Serginho. Filiada ao PL, ela passou a ser cotada para disputar uma vaga na Alerj e assumiu protagonismo político dentro do partido no município. Segundo publicações recentes, Gabriela foi convidada pela deputada federal Soraya Santos para se filiar ao PL e passou a comandar o PL Mulher em Cabo Frio.
Também por Cabo Frio, a jornalista Ana Paula Mendes surge como outro nome competitivo. Ex-apresentadora da InterTV, afiliada da Globo no interior do estado, Ana Paula leva para a pré-campanha um capital político diferente: a exposição pública acumulada ao longo de anos no jornalismo televisivo. Ela se filiou ao PSD e deve disputar uma vaga na Alerj em 2026.
A movimentação desses quatro nomes mostra que a Região dos Lagos pode chegar à eleição de 2026 com uma disputa mais fragmentada e competitiva do que em ciclos anteriores. Iguaba Grande, Araruama e Cabo Frio tentam emplacar representantes próprios, enquanto os grupos políticos trabalham para evitar dispersão de votos e fortalecer candidaturas capazes de atravessar as fronteiras municipais.
Além da disputa estadual, o contexto mais amplo da eleição no Rio de Janeiro também influencia as articulações locais. A corrida para o governo do estado e para o Senado tende a puxar alianças, apoios e palanques nos municípios. Levantamentos recentes sobre a eleição estadual apontaram vantagem de Eduardo Paes na disputa pelo governo do Rio, com percentuais expressivos em pesquisas divulgadas em abril de 2026. Em pesquisa Paraná Pesquisas publicada pela CNN Brasil, Paes apareceu com 53% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto Douglas Ruas registrou 13,2% no cenário citado.
Esse dado é importante porque a eleição para deputado estadual raramente acontece isolada. Pré-candidatos à Alerj dependem não apenas de desempenho individual, mas também da força das chapas, das alianças partidárias, do desempenho dos candidatos a governador, da construção com deputados federais e da aprovação ou rejeição dos governos municipais e estadual. Em cidades onde prefeitos têm boa avaliação, a transferência de apoio pode ser um ativo relevante. Onde há desgaste administrativo, o vínculo com o governo local pode se tornar um ponto de vulnerabilidade.
Por isso, a aprovação de governo será um dos indicadores mais observados na Região dos Lagos ao longo dos próximos meses. No caso de candidaturas ligadas diretamente a grupos governistas, como ocorre em Cabo Frio, a avaliação da gestão municipal pode ter impacto direto na capacidade de mobilização eleitoral. Já em cidades onde os pré-candidatos buscam se apresentar como lideranças independentes ou regionais, o desafio será ampliar o discurso para além da base original e mostrar viabilidade em outros municípios.
Outro ponto central será a disputa por espaço com nomes que já ocupam mandatos de deputado estadual e deputado federal. A Região dos Lagos costuma ser alvo de parlamentares de fora que buscam votos nos municípios, especialmente por meio de emendas, apoios locais e alianças com prefeitos, vereadores e lideranças comunitárias. Para os pré-candidatos regionais, o desafio será convencer o eleitorado de que uma candidatura com identidade local pode representar melhor os interesses da região na Alerj.
Nos bastidores, as conversas já envolvem montagem de grupos, busca por apoios, definição de bases eleitorais e leitura de pesquisas internas. As redes sociais também passaram a ocupar papel central nessa fase. Antes do horário eleitoral e da campanha oficial, os pré-candidatos tentam ganhar familiaridade com o eleitor, apresentar trajetória, testar linguagem e medir a reação do público.
A pré-campanha, portanto, já está nas ruas. Ainda que o eleitor médio só passe a acompanhar a disputa com mais atenção nos meses finais, a eleição para a Alerj na Região dos Lagos está sendo construída agora — em reuniões reservadas, eventos políticos, articulações partidárias e movimentos silenciosos de bastidor.
A equipe do CIC7 Notícias segue acompanhando o cenário político regional e vai informar os próximos capítulos da disputa, com atenção aos movimentos dos pré-candidatos, à formação de alianças, aos dados de deputado estadual, deputado federal, pesquisas registradas, avaliação de governo e aos impactos dessas articulações para Cabo Frio, Araruama, Iguaba Grande e toda a Região dos Lagos.
