Alvo da segunda fase da Operação Teatro Invisível, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira (16), o prefeito de Cabo Frio, Dr. Serginho (PL), convocou uma coletiva de imprensa para se defender das suspeitas de envolvimento em um esquema de desinformação financiado com dinheiro público. Em sua fala, o prefeito negou qualquer vínculo com os investigados e afirmou estar sendo vítima de uma “injustiça”.
A investigação mira uma rede de fake news que, segundo a PF, contratava atores para encenar situações em locais públicos com o objetivo de manipular o eleitorado durante campanhas eleitorais. Conforme declarou a polícia, os pagamentos ocorreram por meio de contratos fraudulentos com o poder público. Ao todo, a Justiça determinou o cumprimento de 10 mandados de busca e apreensão, o bloqueio de até R$ 3,5 bilhões em bens dos investigados e a suspensão das atividades econômicas de oito empresas.
Dr. Serginho confirmou que agentes estiveram em sua residência. Nesse sentido, eles apreenderam documentos de pesquisa eleitoral, uma arma registrada e joias pessoais. “Não se encontrou valores, não se encontrou nada irregular. Foi apreendido o que é de domínio público. Tudo está declarado no meu imposto de renda”, afirmou. Segundo ele, o armamento recolhido, uma pistola .380, está devidamente registrado, mas a PF apontou um erro cadastral quanto ao endereço.
Dr. Serginho nega envolvimento com citados
Além disso, o prefeito fez questão de frisar que nunca teve relação com as empresas investigadas nem com os envolvidos citados nos autos. A exceção do deputado Valdecy da Saúde (PL). Apesar disso, segundo Serginho, não há proximidade entre eles. “Não pratiquei nenhum ato ilícito, não participei de nenhum ato de corrupção. Estou absolutamente tranquilo quanto à minha conduta”, pontuou.
Ao longo da coletiva, Dr. Serginho adotou tom firme ao afirmar que vai provar sua inocência. “A Justiça muitas vezes erra. Confio na Justiça e acredito que tudo será esclarecido. Estou sendo vítima de um erro e vou trabalhar para demonstrar isso”, disse.
Perguntado se a operação pode prejudicar sua imagem junto à população, o prefeito reconheceu o impacto negativo, mas ressaltou que continuará trabalhando para esclarecer os fatos. “Infelizmente, as notícias negativas ganham mais repercussão. Mas, quando a verdade aparecer, eu também vou convocar uma coletiva”, respondeu.
Serginho ainda rechaçou teorias de conspiração, como suposta perseguição política ou fogo amigo, e disse que sua exposição nas redes sociais e o crescimento de seu nome no cenário estadual não seriam motivos para a operação. “Não acredito em nenhuma perseguição”, afirmou o ex-deputado. Serginho reiterou que acredita que foi um erro, que terá sua correção “dentro do processo legal”.
A operação ainda teve como alvos outros políticos do estado, como o deputado estadual Valdecy da Saúde e Aarão (PP), candidato derrotado a prefeito de Mangaratiba, além de nomes ligados ao governo estadual e a prefeituras da Baixada Fluminense.

