Brasil bate recorde de mortes em 2021 e tem o menor número de nascimentos da história, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pandemia de Covid-19 foi apontada como a grande responsável pelos números recordes. Foram cerca de 1,8 milhão de mortes em 2021, um aumento de 18% em relação ao ano anterior. Além disso, o número de nascimentos foi o menor da série histórica iniciada em 2003, com apenas 2,6 milhões de registros de crianças nascidas naquele ano, uma queda de 1,6% em relação a 2020.
A pesquisa Estatísticas do Registro Civil, realizada pelo IBGE, mostrou que a pandemia mexeu muito com a parte demográfica do país. A gerente da pesquisa, Klívia Brayner, explicou que as projeções feitas pelo instituto indicavam uma estabilidade nos números de nascimentos e óbitos, mas a realidade acabou sendo bem diferente.
A maior parte dos óbitos registrados em 2021 aconteceu no primeiro semestre do ano, época em que poucas pessoas ainda haviam sido vacinadas. O mês de março foi o que apresentou o maior registro de mortes, com 202,5 mil, um número 77,8% superior ao registrado no mesmo mês de 2020, quando a pandemia ainda estava começando. A tendência de queda no número de mortes passou a ser observada a partir de julho de 2021, mês em que os óbitos ainda estavam próximos dos 150 mil.
A implementação de medidas sanitárias e, posteriormente, as campanhas de incentivo à vacinação parecem ter contribuído para o recuo da pandemia e suas consequências. A gerente do levantamento, Klívia Brayner, destacou a clara aderência entre a diminuição no número de óbitos e o avanço da vacinação no país.
Em relação aos nascimentos, a pesquisa aponta que a redução observada nos últimos três anos parece estar associada à queda da natalidade e da fecundidade no país, já sinalizada pelos últimos Censos Demográficos. Outra hipótese é que a pandemia tenha gerado insegurança entre os casais, fazendo com que a decisão pela gravidez tenha sido adiada.
A pesquisa do IBGE também mostrou um aumento de 16,8% no número de divórcios concedidos em primeira instância ou realizados por escrituras extrajudiciais em 2021, em comparação com o ano anterior. Com esses números, a taxa geral de divórcios também cresceu, passando de 2,15‰ em 2020, para 2,49‰ em 2021.
Em resumo, os dados divulgados pelo IBGE mostram um cenário preocupante para a demografia brasileira, com um recorde de mortes em 2021 e uma queda histórica no número de nascimentos. A pandemia de Covid-19 teve um impacto significativo nos números, afetando também a taxa de divórcios no país.
