BRASIL — O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, volta ao centro de uma polêmica que mistura nepotismo, favorecimento indevido e supostos vínculos políticos. Novas denúncias apontam que ele utilizou sua posição para beneficiar diretamente familiares, inclusive com salários exorbitantes e acesso privilegiado a cursos de elite custeados pela entidade.
Segundo apuração do Portal LeoDias, Ricardo Lima, concunhado de Ednaldo e atual vice-presidente eleito para o ciclo 2026, teria recebido R$ 3,6 milhões da CBF entre 2021 e 2024. O salário do dirigente chegou a R$ 488 mil mensais em 2023 — mais que o dobro do que recebem presidentes de outras federações, de acordo com levantamento da revista Piauí. Os aumentos não teriam sido acompanhados de justificativas técnicas ou administrativas claras.
Além disso, o genro de Ednaldo, Gabriel Mendonça Brandt, foi agraciado com uma bolsa integral de R$ 75 mil para cursar o CBF Masters, programa de pós-graduação da CBF Academy, voltado à formação de executivos do futebol. A concessão de 100% da bolsa contraria as normas internas da entidade, que preveem apenas 50% de desconto para parentes de dirigentes.
O caso se torna ainda mais delicado ao revelar ligações entre a CBF e o Instituto Brasileiro de Ensino, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e atualmente administrado por seu filho. O IDP tem contrato com a CBF para operacionalizar a CBF Academy, o que levanta questionamentos sobre conflitos de interesse e favorecimentos em diferentes esferas.
O curso feito pelo genro do presidente tem duração de 16 meses, com etapas internacionais em São Paulo, Miami, Madri, Lisboa, Zurique e Rio de Janeiro, cobrindo temas como marketing esportivo, gestão de clubes e direito desportivo, com visitas técnicas a clubes europeus como Real Madrid e Atlético de Madrid.
Repercussão e cenário de instabilidade
O escândalo surge em um momento de instabilidade na cúpula da CBF, com Ednaldo cada vez mais pressionado por denúncias de corrupção, má gestão e uso indevido de recursos da entidade. As revelações alimentam especulações de que sua queda do cargo é iminente, sobretudo diante do desgaste interno e da repercussão negativa junto à opinião pública e à imprensa esportiva.
Ainda não há manifestação oficial por parte da CBF sobre as denúncias. Organizações de transparência e ética esportiva cobram esclarecimentos urgentes e apuração rigorosa dos fatos, enquanto a pressão aumenta para que medidas sejam tomadas no âmbito administrativo e judicial.
