Caminhoneiros articulam greve nacional a partir desta quinta-feira (4), mas movimento divide a categoria

Por Vitor Lobo - Rio Janeiro

Publicado há 10 meses ago

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Caminhoneiros de diferentes regiões do país têm organizado, por redes sociais e grupos de mensagens, uma mobilização para iniciar uma greve nacional nesta quinta-feira (4). Apesar da articulação, o movimento não é unânime entre representantes da categoria.

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Na terça-feira (2), Franco Dal Maro, conhecido como Chicão Caminhoneiro, da União Nacional dos Caminhoneiros, esteve em Brasília para protocolar na Presidência da República uma pauta de reivindicações e anunciar a possibilidade de paralisação caso não haja resposta do governo. Ele afirmou que o processo segue os direitos constitucionais previstos para o exercício de greve.

Chicão foi acompanhado do desembargador aposentado Sebastião Coelho, pré-candidato ao Senado pelo Distrito Federal pelo partido Novo, que declarou prestar apoio jurídico ao movimento.

Entre as principais demandas apresentadas estão:

  • Estabilidade contratual na contratação e recusa de fretes;
  • Revisão do marco regulatório do transporte de cargas;
  • Regularização administrativa de motoristas autônomos;
  • Atualização do piso mínimo do frete, com atenção a veículos de nove eixos;
  • Congelamento das dívidas da categoria por 12 meses e possibilidade de refinanciamento em até 120 meses;
  • Aposentadoria especial após 25 anos de atividade comprovada;
  • Linha de crédito de até R$ 200 mil, inclusive para negativados;
  • Isenção de IPI para renovação de frota;
  • Ampliação de pontos de parada e descanso previstos em lei;
  • Suspensão temporária da “Lei do Descanso” até que haja estrutura adequada nas estradas;
  • Criação de uma Justiça especializada em transporte;
  • Destinação de 30% das cargas de estatais para caminhoneiros autônomos.

Apesar de negar motivação política na mobilização, Chicão disse que o movimento deve respeitar o direito de ir e vir e todas as normas legais.

Já o desembargador Sebastião Coelho divulgou vídeos defendendo uma paralisação mais ampla em apoio a uma anistia para o ex-presidente Jair Bolsonaro e para investigados pelos atos de 8 de janeiro, o que ampliou o debate sobre a natureza do movimento.

Entidades divergem sobre adesão

A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que representa nove federações e 104 sindicatos, afirmou que não tem conhecimento formal da mobilização e que não recebeu sinalização de suas bases.

Wallace Landim, o Chorão, liderança nacional na greve de 2018, também se posicionou contra a paralisação, alegando que o movimento ganhou caráter político. Ele diz que pautas da categoria são legítimas, mas que não participará por considerar que o movimento visa defender interesses partidários.

Greve de 2018 paralisou o país

A paralisação dos caminhoneiros em 2018 durou dez dias e teve forte impacto na economia. A mobilização, motivada pelo aumento do diesel e pela política de preços da Petrobras, provocou desabastecimento de combustíveis, falta de alimentos, queda na produção industrial e prejuízos ao agronegócio.

Para encerrar a greve, o governo federal aprovou subsídios ao diesel e criou a tabela mínima de frete, ainda em vigor.

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Por Vitor Lobo - Rio Janeiro

Publicado há 10 meses ago

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