O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi registrado na manhã desta quinta-feira (11/9) no jardim de sua residência, no condomínio Solar de Brasília, no Jardim Botânico. A cena ocorreu no quinto dia do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que analisa a suposta trama golpista para manter o ex-mandatário no poder após as eleições de 2022.
Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, foi visto com o portão de casa aberto, caminhando tranquilamente, enquanto câmeras registravam sua presença. Não havia movimentação de apoiadores ou opositores na frente do condomínio, em contraste com a intensa mobilização política e midiática em torno do julgamento.
O julgamento e os votos até agora
A análise do processo está sendo conduzida pela Primeira Turma do STF e já soma cinco dias de sessões. Até o momento, o placar parcial é de 2 a 1 pela condenação:
- Alexandre de Moraes e Flávio Dino votaram pela condenação de todos os acusados;
- Luiz Fux, em voto que durou cerca de 14 horas, divergiu dos colegas e absolveu a maioria dos réus, incluindo Bolsonaro, alegando falta de provas suficientes.
Ainda restam os votos da ministra Cármen Lúcia e do presidente da Primeira Turma, Cristiano Zanin, que devem definir o resultado final do caso. As sessões continuam até esta sexta-feira (12/9).
Impacto político da cena
A aparição de Bolsonaro em casa, enquanto o STF avalia seu destino político e jurídico, carrega um peso simbólico. O ex-presidente, que sempre cultivou uma imagem pública de confronto e mobilização popular, surge agora em situação de recolhimento e silêncio, restrito ao espaço doméstico.
Analistas avaliam que a cena contrasta com o passado recente: em 2021 e 2022, Bolsonaro reunia multidões em frente ao Palácio da Alvorada, transformando sua residência oficial em palco político. Hoje, no entanto, ele aparece isolado, dependente das decisões da Corte Suprema.
O que está em jogo
O julgamento trata das acusações de:
- Formação de organização criminosa;
- Tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito;
- Articulação de golpe de Estado;
- Dano ao patrimônio da União;
- Depredação de patrimônio tombado.
Além de Bolsonaro, outros sete réus compõem o chamado “núcleo central” da trama golpista: Alexandre Ramagem, Almir Garnier, Anderson Torres, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Walter Braga Netto e Mauro Cid.
Próximos passos
A expectativa é que o julgamento seja concluído até sexta-feira (12/9). Caso haja condenação, Bolsonaro poderá enfrentar perda de direitos políticos e novas restrições judiciais. Se absolvido, ganha fôlego político para tentar retomar protagonismo na oposição ao governo Lula, embora siga fragilizado por outras investigações em andamento.
Enquanto isso, a imagem do ex-presidente no jardim de sua casa, em meio ao silêncio, pode se tornar um retrato simbólico da fase mais delicada de sua carreira política.
