A Polícia Civil apontou Flávio Vieira Bento, conhecido como “Mumu”, chefe do tráfico na comunidade Risca-Faca, em Maria Paula, São Gonçalo, como o mandante de um chamado “tribunal do tráfico” que torturou duas mulheres e expôs as vítimas publicamente.
Segundo as investigações, mesmo estando preso, Mumu teria comandado o crime de dentro da unidade prisional. As vítimas sofreram agressões físicas, tiveram os cabelos raspados e foram obrigadas a caminhar pelas ruas da comunidade pedindo desculpas sob ameaças dos criminosos.
O caso aconteceu em maio e ganhou repercussão após vídeos das agressões serem divulgados pelos próprios traficantes nas redes sociais. Para a Polícia Civil, a exposição das vítimas tinha como objetivo intimidar moradores e demonstrar o poder da facção criminosa que atua na região.
Após as agressões, as duas mulheres precisaram de atendimento médico e foram encaminhadas ao Hospital Estadual Alberto Torres, em São Gonçalo. Em depoimento, uma das vítimas relatou que foi espancada apenas por ser amiga da outra mulher, que era acusada de aplicar golpes na comunidade.
Operação prendeu suspeitos e apreendeu máquina usada para raspar cabelos
Em junho, a Polícia Civil realizou uma operação contra 14 investigados por participação no caso. Três suspeitos foram presos, incluindo um dos executores das torturas.
Durante a ação, os agentes apreenderam uma máquina de cortar cabelo que teria sido utilizada para raspar a cabeça das vítimas durante o chamado tribunal do tráfico.
Mumu havia sido preso em abril de 2025 durante uma operação no Morro do Estado, em Niterói. Segundo a polícia, ele possui antecedentes por tráfico de drogas e homicídio.
Sistema penitenciário abriu procedimento disciplinar
A Secretaria de Estado de Polícia Penal (Seppen) informou que colaborou com as investigações e realizou buscas na cela do traficante. Nenhum material proibido foi encontrado.
Ainda de acordo com a pasta, após a identificação da suposta participação do preso no crime, ele foi transferido para a Penitenciária Laercio da Costa Pellegrino, conhecida como Bangu 1, onde permaneceu em isolamento.
A Seppen instaurou procedimento disciplinar e informou que o interno sofrerá rebaixamento de comportamento por 180 dias. O órgão também pretende solicitar sua inclusão no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD).
As investigações foram concluídas e Flávio Vieira Bento, além de outros três envolvidos, foi indiciado pelos crimes de tortura, tráfico de drogas, associação para o tráfico e domínio social estrutural.
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