‘Mandaram jogar até o coroa pro alto’: tráfico expulsava moradores de casa para tomar imóveis e lavar dinheiro no Rio

Por Vitor Lobo - Rio Janeiro

Publicado há 1 hora ago

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Uma operação da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco-IE) revelou um esquema em que criminosos ligados ao Terceiro Comando Puro (TCP) expulsavam moradores de suas próprias casas, extorquiam comerciantes e se apropriavam de imóveis para ampliar os lucros da facção. Nesta sexta-feira (12), agentes cumpriram 43 mandados de busca e apreensão contra integrantes do grupo criminoso.

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Segundo as investigações, a organização atuava a partir do Complexo de São Carlos e tentava expandir sua influência para bairros da região central do Rio de Janeiro, incluindo a Cidade Nova. De acordo com a polícia, comerciantes eram obrigados a pagar taxas impostas pelo tráfico para manter seus estabelecimentos funcionando.

Quem não conseguia arcar com as cobranças ou resistia às exigências dos criminosos acabava pressionado a deixar o imóvel. Em alguns casos, segundo a investigação, integrantes da facção invadiam as propriedades e passavam a se apresentar como legítimos possuidores dos locais.

Um dos áudios obtidos pelos investigadores mostra a forma como os criminosos tratavam a expulsão de moradores. Em uma das gravações, um suspeito afirma: “O Marlon tava mandando eu jogar até o coroa pro alto e agarrar o imóvel”.

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De acordo com o delegado Jefferson Ferreira, os imóveis tomados pelo grupo passavam a integrar o patrimônio da facção e eram utilizados para ocultar recursos obtidos com atividades criminosas.

Durante as investigações, a polícia encontrou escrituras que teriam sido produzidas para dar aparência de legalidade às propriedades ocupadas ilegalmente. Segundo a Draco, os documentos eram utilizados para convencer compradores de que os imóveis possuíam situação regular.

A investigação também aponta que os criminosos buscavam orientação jurídica para tentar regularizar a posse das propriedades e dificultar a identificação das irregularidades.

Entre os alvos da operação está Rafael Carlos da Silva Ferreira, conhecido como Parazão, apontado como responsável por supervisionar cobranças feitas a moradores e comerciantes e por atuar na negociação de armas entre os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais.

A polícia afirma ainda que a liderança do esquema seria exercida por Anderson Rosa Mendonça, conhecido como Coelho, mesmo estando preso. Leonardo Miranda da Silva, o Léo Empada, e Marcílio Cheru de Oliveira também foram apontados como integrantes do núcleo de comando da facção.

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Além dos mandados de busca, a Justiça determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 60 milhões e o sequestro de imóveis, veículos de luxo e outros bens que, segundo os investigadores, seriam utilizados para ocultar patrimônio ligado à organização criminosa.

Até a última atualização da operação, três pessoas haviam sido presas em flagrante.

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Por Vitor Lobo - Rio Janeiro

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