A prisão de Amanda Maria, de 37 anos, em Joinville, após fingir ser uma adolescente de 12 anos com autismo por 14 meses, revelou que o golpe não era inédito. Em 2023, ela havia aplicado o mesmo esquema no Rio de Janeiro, enganando a nutricionista Renata Magalhães, de 52 anos, e Viviane Henriques, de 45, diretora de um projeto social que acolhe crianças vítimas de abuso.
No Rio, Amanda usava o nome de “Duda” e dizia ter escapado de abusos no Ceará, onde um pai “bruxo” a obrigava a se prostituir e lhe administrava hormônios para aparentar ser mais velha. As duas mulheres alugaram e mobiliaram um apartamento para ela em Nova Iguaçu e a cuidaram por um mês como se fosse uma adolescente. “Ela aparentava ser adolescente, sempre com casaco e capuz. Tinha uma fala muito infantilizada. Ficamos com o coração na mão”, relembra Viviane. Amanda pedia mamadeira, chupeta e comidas de criança, e tinha mais de 200 agulhas pelo corpo, que dizia terem sido inseridas pelo pai em rituais.
A situação começou a despertar suspeitas quando Amanda passou a exigir a presença constante de Renata, ameaçando se machucar caso ela não estivesse por perto. “Ela acabou com minha saúde mental, minha vida financeira. Me tirou de perto dos meus filhos fazendo pressão psicológica”, relembra Renata. As duas decidiram acionar a polícia. A delegada Mônica Areal descobriu a farsa e prendeu Amanda em flagrante por estelionato, falsa identidade e falsidade ideológica. No celular dela, foram encontradas pesquisas sobre “como um autista se comporta” e “como fazer desenhos como se fosse uma vítima de abuso”.
Em Santa Catarina, o mesmo roteiro se repetiu com o nome de “Gabriele”, desta vez por 14 meses, até que uma parente da família acolhedora desconfiou, pesquisou na internet e encontrou o caso do Rio. Ao ser presa, Amanda confessou e afirmou saber que sua conduta era errada. “Ela mostrou-se muito racional, colaborativa e com raciocínio bastante lógico”, afirmou o delegado responsável pelo caso em SC. Segundo a polícia, ela também já aplicou golpes semelhantes em São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Goiás.
Renata avalia que a mulher precisa de tratamento além da punição. “Acredito que ela tenha algum tipo de transtorno, que pode ser perigoso. Não é só prender, ela precisa de tratamento”, diz. A Justiça do Rio de Janeiro acatou a denúncia do Ministério Público e Amanda é ré em um processo no estado.
VEJA TAMBÉM:
