Pesquisa revela níveis elevados de mercúrio em bonito-pintado vendido em Cabo Frio

Por Caio Gervazoni - Rio Janeiro

Publicado há 2 minutos ago

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Uma pesquisa realizada por cientistas do Instituto Federal Fluminense (IFF) e de outras instituições revelou que metade das amostras de bonito-pintado comercializadas em Cabo Frio apresentou níveis de mercúrio acima do limite considerado seguro para o consumo humano.

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O estudo, publicado na revista científica Neotropical Ichthyology, analisou 30 exemplares da espécie Euthynnus alletteratus, adquiridos no Mercado Municipal de Peixe da cidade em diferentes períodos do ano. Os pesquisadores identificaram que 15 dos peixes avaliados continham concentrações superiores a 1 miligrama de mercúrio por quilo, limite estabelecido pela legislação brasileira e por referências internacionais para peixes carnívoros.

Em um dos exemplares, a concentração chegou a 1,980 mg/kg, quase o dobro do valor máximo permitido. Segundo os autores da pesquisa, o resultado chama atenção porque o bonito-pintado é uma espécie amplamente consumida na região e apresentou níveis de contaminação superiores aos registrados em alguns estudos com espécies maiores de atum.

A pesquisa foi desenvolvida por cientistas do IFF em parceria com pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, da Universidade Federal Fluminense e do Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira.

De acordo com os pesquisadores, a contaminação está relacionada ao processo de biomagnificação, no qual substâncias tóxicas se acumulam progressivamente ao longo da cadeia alimentar. Como o bonito-pintado é um peixe predador, tende a concentrar maiores quantidades de mercúrio em seus tecidos.

Embora não tenham sido identificadas fontes locais específicas que expliquem os níveis encontrados em Cabo Frio e Arraial do Cabo, os autores associam o problema à poluição global dos oceanos por mercúrio. O estudo também destaca que a dinâmica oceanográfica da Região dos Lagos, marcada pelo fenômeno da ressurgência, pode contribuir para a circulação e redistribuição do contaminante no ambiente marinho.

Diante dos resultados, os pesquisadores defendem a ampliação do monitoramento da qualidade dos pescados comercializados na região e a criação de orientações específicas de consumo, principalmente para grupos mais vulneráveis, como gestantes e crianças.

Os cientistas ressaltam que novas pesquisas serão importantes para avaliar a extensão da contaminação em outras espécies e garantir maior segurança alimentar à população que depende da pesca e do consumo frequente de pescado.

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Por Caio Gervazoni - Rio Janeiro

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