“Primo” e “Beto Louco” chefiavam esquema bilionário do PCC no setor de combustíveis que lavava dinheiro por fintechs na Faria Lima, aponta operação da PF

Por Caio Gervazoni - Rio Janeiro

Publicado há 3 horas ago

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O esquema bilionário do Primeiro Comando da Capital (PCC) no setor de combustíveis, alvo das operações Carbono Oculto e Fluxo Oculto do Ministério Público de São Paulo, era comandado por Mohamad Hussein Mourad, o “Primo” ou “João”, e Roberto Augusto Leme da Silva, o “Beto Louco”. A Operação Fluxo Oculto, deflagrada nesta quinta-feira (28), aponta que um ecossistema de fintechs ligadas aos dois líderes continuava operando na Avenida Brigadeiro Faria Lima.

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Segundo as investigações, a organização atuava em toda a cadeia produtiva de combustíveis e do setor de açúcar e álcool, incluindo usinas, distribuidoras, transportadoras, refinarias, redes de postos e conveniências. Mohamad é apontado como o “epicentro das operações” e chefe da organização, que usava empresas em todo o setor para realizar fraudes fiscais, ocultar patrimônio e lavar bilhões de reais. A rede criminosa era formada por familiares, sócios, administradores e profissionais cooptados por ele.

No LinkedIn, Mohamad se apresentava como CEO da empresa G8LOG, especializada em transporte de cargas perigosas, e consultor do grupo Copape. “Sou um empresário e investidor que acredita na potência do trabalho, da disciplina e do comprometimento como caminho para o alcance de resultados sólidos”, escreveu em seu perfil.

Segundo as investigações, a Copape e a distribuidora Aster foram adquiridas por Mohamad e usadas para fraudes fiscais e lavagem de dinheiro. O grupo “inflava” artificialmente os preços dos insumos nas transações entre as duas empresas para sonegar impostos e obter créditos tributários indevidos.

Roberto, por sua vez, era responsável pela gestão das duas empresas e pela prática de fraudes fiscais e contábeis, falsificação de documentos e lavagem de capitais. O esquema era dividido entre a gestão operacional das usinas e a gestão financeira, utilizando fundos de investimento e empresas de participações para ocultar a origem e o destino dos recursos ilícitos.

Esta não é a primeira vez que Mohamad entra na mira do MP. Em junho do ano passado, ele já havia sido denunciado por sonegação de impostos e adulteração de bombas em postos de combustíveis.

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