Mensagens revelam detalhes da relação entre o ex-governador do Rio, Cláudio Castro, e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Os documentos foram enviados ao ministro do STF André Mendonça, que após analisá-los autorizou a operação de busca e apreensão da Polícia Federal contra Castro. Segundo a investigação, as mensagens mostram encontros entre os dois no Brasil e no exterior antes de aportes milionários do Rioprevidência — fundo de aposentadorias dos servidores estaduais — no Banco Master.
Em maio de 2023, Castro enviou mensagem a Vorcaro se identificando: “Cláudio Castro.” O banqueiro respondeu com o endereço de um restaurante em Nova York. No dia seguinte ao jantar, Castro agradeceu: “Amigo, foi uma experiência incrível. Muito obrigado.” Vorcaro respondeu: “Bom dia, meu caro. Que bom que deu certo.” Segundo a PF, a conta do jantar passou de US$ 13 mil — mais de R$ 60 mil — e teria sido integralmente paga por Vorcaro. Seis meses depois, em novembro de 2023, o Rioprevidência fez seu primeiro aporte no banco: R$ 40 milhões.
Em 6 de novembro de 2023, dias após o primeiro investimento, Castro e Vorcaro voltaram a se reunir em São Paulo. Quatro dias depois, o Rioprevidência aplicou mais R$ 80 milhões no banco. Em dezembro do mesmo ano, novo aporte de R$ 200 milhões em Letras Financeiras.
As mensagens mostram ainda encontros nos palácios do governo estadual. Em março de 2024, Vorcaro escreveu a Castro: “Fala, amigo, tô na entrada aqui”, referindo-se ao Palácio Laranjeiras. Antes do encontro, o banqueiro havia consultado um funcionário sobre o montante investido pelo Estado. “Quanto o fundo do Rio tem conosco?”, perguntou. A resposta: “320 milhões aplicados, RioPrev.” E ainda sobre outro fundo: “Cedae aplicou 200.”
Em maio de 2024, Vorcaro convidou Castro para uma degustação exclusiva de uísque em Nova York, restrita a dez pessoas. “Haverá um evento pequeno, degustação de uísque. Só homens, serão 10 pessoas apenas”, disse o banqueiro. “Eu vou”, respondeu Castro. Segundo a PF, o evento custou mais de US$ 1 milhão — cerca de R$ 5 milhões —, pagos por Vorcaro. No dia seguinte, o Rioprevidência aplicou mais R$ 80 milhões no Banco Master.
Ao todo, a PF já identificou R$ 3,691 bilhões do Rioprevidência em investimentos ligados ao Banco Master. A defesa de Castro nega irregularidades. O banco afirma que todas as operações seguiram critérios técnicos e legais.
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