A conselheira tutelar Patrícia Felix, responsável por encaminhar ao Ministério Público denúncias sobre a atuação do grupo “Anjos da Guarda Vigilância Comunitária” (AGVC) na Zona Sul do Rio, registrou boletim de ocorrência nesta sexta-feira (22) na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) após sofrer ameaças de morte, ofensas e ataques racistas nas redes sociais. O caso foi registrado como injúria por preconceito, ameaça e injúria.
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“Estou sendo ameaçada de morte, sendo difamada e sofrendo racismo pela internet, mas existem leis nesse país”, afirmou Patrícia.
As ameaças começaram após a repercussão de uma decisão judicial que determinou que William Correia da Silva Junior, apontado pelo MP como fundador e líder do grupo, se abstenha de organizar, participar ou publicizar atos de vigilantismo envolvendo crianças e adolescentes, e de divulgar imagens que permitam a identificação de menores.
Segundo a conselheira, parte das ameaças foi publicada em comentários de postagens de William criticando a decisão. No boletim, ela também citou um vídeo em que ele teria dito: “Aos inimigos, estejam preparados” e “a guerra está só começando”. Entre as mensagens recebidas por Patrícia estavam frases que incitavam violência, ataques racistas e ameaças diretas à sua integridade física.
Segundo o Ministério Público, o AGVC — também chamado de “Justiceiros de Copacabana” — utilizava redes sociais e aplicativos para organizar perseguições e “caçadas” contra adolescentes apontados como autores de furtos e roubos na Zona Sul. O MP aponta ainda que integrantes orientavam participantes a usar roupas pretas, esconder tatuagens e usar máscaras para evitar identificação.
Após a decisão judicial, William publicou vídeos criticando a Justiça e o MP. Em um deles, afirmou: “Alo gansarada, até 18 anos, tá liberado roubar, pode roubar à vontade que eu tô proibido de publicar e mostrar os rostinhos indefesos.”
A defesa de William negou todas as acusações, classificando-as como “graves, frágeis e baseadas em narrativas”, e afirmou que ele jamais integrou organização criminosa ou participou de atos de violência. Sobre as ameaças nas redes, a defesa disse que comentários de terceiros não estão sob controle ou responsabilidade de William.
Patrícia Felix reafirmou que o Conselho Tutelar continuará atuando. “A gente não vai calar. Todas as comunicações que chegarem no Conselho Tutelar, nós iremos encaminhar para os órgãos para averiguação”, disse.
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