O deputado federal Marcelo Queiroz foi alvo da Operação Castratio, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (12), sob suspeita de integrar um esquema de fraudes em licitações, peculato e lavagem de dinheiro envolvendo contratos de castração de animais no Rio de Janeiro.
As investigações apontam que as irregularidades teriam começado no período em que Marcelo Queiroz comandava a Secretaria Estadual de Agricultura. Segundo a PF, o parlamentar teria utilizado o engajamento com a causa animal para obter prestígio político e fortalecimento eleitoral.
De acordo com a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, as suspeitas envolvem contratos firmados com a empresa Consuvet Soluções em Saúde Animal, que teria fechado acordos milionários com o governo mesmo sem possuir estrutura compatível para executar os serviços.
A investigação destaca que a empresa foi criada em julho de 2021 com capital social de apenas R$ 20 mil e, poucos meses depois, assinou contratos que ultrapassaram R$ 193 milhões entre 2021 e 2023. Segundo os investigadores, cerca de R$ 35 milhões já haviam sido pagos.
A Polícia Federal também aponta suspeitas de superfaturamento e aditivos contratuais sem justificativa técnica que ampliaram significativamente os valores dos contratos.
Outro ponto citado pela investigação é o crescimento patrimonial de aproximadamente 665% do deputado no período analisado, com base em declarações apresentadas à Justiça Eleitoral.
Segundo os investigadores, mesmo após deixar a secretaria para assumir o mandato na Câmara Federal, Marcelo Queiroz teria mantido ligação com integrantes do grupo investigado.
Durante a operação, agentes cumpriram 12 mandados de busca e apreensão em endereços no Rio de Janeiro e em São Paulo. O deputado teve o celular apreendido pela PF no Aeroporto Santos Dumont, enquanto se preparava para embarcar para Brasília.
A operação também apura a atuação de Antônio Emílio Santos, apontado como figura central da empresa investigada. Ele ocupava cargo de diretor administrativo e financeiro na secretaria antes da licitação e, posteriormente, tornou-se sócio da Consuvet.
Segundo relatórios de inteligência, Antônio Emílio teria recebido R$ 888 mil da empresa em apenas oito meses. As autoridades também identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas, incluindo um saque superior a R$ 700 mil.
Os investigadores ainda analisam a possível participação da companheira do deputado, Anna Caroline dos Santos, após suspeitas de ocultação do celular de uma subsecretária investigada no caso.
Em nota, Marcelo Queiroz afirmou lamentar o vazamento de informações de um procedimento sigiloso e declarou que seu nome estaria sendo citado “com base em ilações e conjecturas, sem respaldo em fatos e provas”. O parlamentar também afirmou que todos os contratos de sua gestão foram realizados por meio de pregões eletrônicos.
A investigação segue em andamento no STF devido ao foro privilegiado do deputado federal.
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