Policiais civis da Delegacia de Defraudações (DDEF), da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, prenderam na manhã desta quarta-feira (4) o empresário Jonas Spritzer Amar Jaimovick, conhecido como Jonas Jaimovick, apontado como um dos principais responsáveis por um dos maiores esquemas de pirâmide financeira já registrados no país.
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A prisão ocorreu na Travessa do Paço, no Centro do Rio de Janeiro, após trabalho de inteligência conduzido pela especializada. Segundo as investigações, o esquema teria causado um prejuízo estimado em R$ 170 milhões, atingindo cerca de 3 mil investidores em diversos estados do Brasil.
De acordo com a polícia, Jaimovick é proprietário da Spritzer Consultoria Empresarial Eireli, empresa conhecida no mercado como JJ Invest, que se apresentava como uma gestora de recursos e consultoria especializada no mercado brasileiro de ações. A empresa prometia retornos mensais entre 10% e 15%, alegando operar com estratégias estruturadas de “day trade” e com suposto risco zero.
Na prática, segundo os investigadores, o modelo seguia a lógica clássica de pirâmide financeira (ou esquema Ponzi). Os rendimentos pagos aos primeiros investidores eram sustentados com recursos aportados por novos participantes, mecanismo que mantém o sistema funcionando apenas enquanto há entrada constante de novos valores.
Até o momento, cerca de 60 vítimas já foram ouvidas na sede da Delegacia de Defraudações. Somente esse grupo relata prejuízos que ultrapassam R$ 30 milhões. No entanto, a estimativa das autoridades é de que o impacto total do esquema possa ultrapassar R$ 170 milhões, com aproximadamente 3 mil pessoas afetadas.
As investigações também apontam que a empresa ganhou notoriedade nacional ao patrocinar clubes de futebol, incluindo o Vasco da Gama, além de associar sua marca a figuras conhecidas do esporte e do entretenimento. Em eventos e materiais promocionais, o logotipo da empresa chegou a aparecer ligado a nomes famosos, estratégia que teria ampliado a credibilidade do negócio e ajudado a atrair um grande número de investidores.
Durante o cruzamento de dados, os agentes identificaram que o empresário possui extenso histórico criminal, com registros por crimes contra o sistema financeiro nacional, falsidade ideológica, estelionato, organização criminosa e delitos contra a ordem tributária. Contra ele também havia mandado de prisão federal em aberto por crimes financeiros.
Além disso, Jaimovick já havia sido alvo de ações judiciais e sanções da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), incluindo uma multa de R$ 80 milhões aplicada em 2023 por fraude e manipulação de mercado. Ele também chegou a ser preso anteriormente, em 2020, na Barra da Tijuca.
A Delegacia de Defraudações informou que as investigações continuam para identificar outros possíveis envolvidos no esquema, além de localizar novas vítimas e rastrear eventuais bens e valores ligados à fraude.
As autoridades orientam que investidores que se considerem lesados procurem a Delegacia de Defraudações ou qualquer unidade da Polícia Civil para registrar ocorrência e contribuir com as investigações. O caso é tratado como um dos maiores alertas recentes sobre fraudes financeiras no Brasil, envolvendo milhares de vítimas e prejuízos milionários.
