A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (2/12) a Operação Nova Capistrum, que investiga a articulação entre grupos criminosos — incluindo milícias e integrantes da facção ADA — e figuras influentes da política de Macaé. O objetivo é desmontar um esquema que, segundo os investigadores, infiltrou interesses ilícitos no processo eleitoral e na administração pública do município.
Entre os principais alvos está Poliana Dutra, apontada no inquérito como integrante da facção ADA e ex-esposa de “Vovô”, antigo líder do tráfico em Macaé, assassinado no presídio de Bangu em 2021. Além de sua atuação no crime organizado, a investigada mantinha forte inserção na máquina pública: já foi nomeada diversas vezes por portaria tanto na Prefeitura quanto na Câmara Municipal.

O elemento que mais chamou atenção dos investigadores — e que passou a ser um dos eixos centrais da operação — é a relação direta e constante de Poliana Dutra com a família Rezende, especialmente com Márcio Rezende, irmão do prefeito Welberth Rezende, e com Manu Rezende, filha de Márcio e vereadora no município.

Fotos obtidas pelo CIC7 Notícias e anexadas ao inquérito mostram convivência frequente, proximidade social e aparente relação de confiança entre Poliana e Manu Rezende. São registros que incluem encontros pessoais, eventos e ocasiões privadas, o que reforça, segundo fontes ligadas à investigação, “indícios sólidos de vínculo contínuo” — um ponto considerado sensível dada a posição política ocupada por Manu e o histórico criminal atribuído a Poliana.
Outro conjunto de imagens obtidas pela reportagem mostra Manu ao lado de Edinaldo, empresário da Alternativa Internet, que é citado no inquérito como um dos chefes de milícia responsáveis pelo controle de serviços clandestinos de ‘gatonet’ em Macaé. A Polícia Federal aponta que essa estrutura de televisão e internet pirata é tradicionalmente usada por milicianos como fonte de renda, instrumento de ocupação territorial e meio de influência em comunidades.

De acordo com agentes envolvidos na operação, as conexões de Poliana Dutra com Márcio e Manu Rezende não se resumem a “meros relacionamentos sociais”, mas configuram um padrão de proximidade que coincide com outros achados do inquérito, como movimentações suspeitas, nomeações sucessivas da investigada no serviço público e citações sobre o envolvimento de Márcio com milicianos e traficantes da região.
Investigadores afirmam que há “uma série de elementos convergentes” que, juntos, formam um quadro de aproximação significativa da família Rezende com estruturas do tráfico e da milícia. Esses elementos incluem:
- Constante presença de Poliana em ambientes ligados à família, mesmo já sendo apontada como ligada à ADA.
- Influência política da investigada, que circulava entre órgãos da Prefeitura e da Câmara Municipal.
- Registros fotográficos que relacionam Manu Rezende a líderes paramilitares, incluindo Edinaldo.
- Relatos e documentos internos do inquérito que mencionam a participação de Márcio Rezende em articulações envolvendo grupos criminosos.
Os investigadores tratam essa linha de apuração como uma das mais sensíveis da operação, pois toca diretamente em supostos vínculos entre o núcleo familiar de um agente político de primeiro escalão e organizações criminosas com forte atuação territorial.

A Operação Nova Capistrum também revelou suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de empresas ligadas aos investigados, contratos públicos utilizados como fachada e movimentações financeiras de centenas de milhões de reais, segundo relatórios do COAF. As diligências se estendem ainda ao uso de distribuidoras clandestinas de gás e operadoras ilegais de internet — instrumentos clássicos do financiamento miliciano.
A PF reforça que a investigação está em curso e que o objetivo é esclarecer a extensão da infiltração criminosa na política local, responsabilizando tanto os operadores diretos quanto eventuais beneficiários dentro da estrutura pública.
