A Polícia Federal atribui ao presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Rodrigo Bacellar, o vazamento de informações sigilosas da Operação Zargun, realizada em setembro de 2024. Um vídeo enviado pelo então deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, à Bacellar, na véspera da ação, se tornou uma das principais peças usadas pela PF para sustentar a suspeita.
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Na gravação, TH aparece mostrando peças de carne ao presidente da Alerj e fazendo piadas. Segundo o inquérito, o diálogo indica que Bacellar já havia alertado o aliado sobre a operação que aconteceria no dia seguinte.
“Ô presida! Não tem como levar não, irmão. Pô, como é que leva?! Tem como levar não, irmão. Esses filhas das p* vão roubar as carnes, hein”, disse TH.
A PF afirma que Bacellar respondeu: “Deixa, doido”.
Para os investigadores, a conversa demonstra proximidade e reforça a tese de que Bacellar informou TH sobre os mandados que seriam cumpridos — o que configuraria obstrução de investigação.
No dia 2 de setembro, Bacellar ligou para TH e o alertou sobre a operação, orientando-o a destruir documentos e esconder materiais. O ex-parlamentar chegou a organizar uma mudança às pressas, utilizando um caminhão-baú.
Outro vídeo mostra o veículo chegando à casa de TH e homens retirando objetos, supostamente como parte da tentativa de eliminar provas.
Rodrigo Bacellar foi preso nesta quarta-feira (3), dentro da Superintendência da Polícia Federal, na Praça Mauá, após ter sido convidado pelo superintendente Fábio Galvão para uma “reunião”. Assim que chegou, recebeu voz de prisão e teve o celular apreendido. No carro usado por ele, agentes encontraram R$ 90 mil.
TH Joias também foi levado para depor, mas decidiu permanecer em silêncio.
O mandado de prisão foi expedido pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou também o afastamento de Bacellar da presidência da Alerj. Moraes afirmou que há “fortes indícios” de que o parlamentar atuou para obstruir investigações envolvendo facções criminosas, inclusive com influência sobre setores do Executivo estadual.
TH Joias está preso por tráfico de drogas, corrupção e lavagem de dinheiro, sendo apontado como negociador de armas para o Comando Vermelho.
A defesa de Rodrigo Bacellar, representada pelo advogado Bruno Borragini, declarou que a prisão é “totalmente desproporcional” e que o deputado “não praticou nenhuma conduta ativa” para interferir no trabalho da PF.
Imagens: TV Globo
