Relatório do MPRJ aponta indícios de execuções e decapitação entre os 121 mortos da megaoperação no Alemão e na Penha

Por Vitor Lobo - Rio Janeiro

Publicado há 8 meses ago

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O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) encontrou indícios de mortes fora do padrão de confronto entre os 121 corpos resultantes da megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, realizada em 28 de outubro.

Um relatório técnico obtido pela TV Globo revelou que ao menos dois corpos apresentavam sinais atípicos: um com marcas de tiros à curta distância e outro com indícios de decapitação.

Segundo o documento, elaborado pela Divisão de Evidências Digitais e Tecnologia (DEDIT/CI2) do MPRJ, técnicos do órgão acompanharam as necropsias realizadas no Instituto Médico Legal Afrânio Peixoto (IMLAP) entre os dias 28 e 30 de outubro.

O relatório aponta que todas as vítimas eram homens entre 20 e 30 anos, com ferimentos de alta energia compatíveis com fuzis, mas dois casos destoaram do padrão esperado de confronto.

“Um corpo apresentava lesões com características de disparo de arma de fogo à curta distância. Outro possuía ferimento por decapitação, produzido por instrumento cortante ou corto-contundente”, diz o documento.

Os promotores recomendam uma análise detalhada das câmeras corporais dos agentes e o escaneamento digital do ambiente dos confrontos para elucidar as circunstâncias das mortes.

Durante o acompanhamento, os peritos registraram 378 varreduras técnicas e escaneamentos corporais digitais. A maioria das vítimas usava roupas camufladas, coletes e botas táticas, e algumas carregavam munição, drogas e celulares.

O relatório também destaca que muitos corpos tinham tatuagens associadas a facções criminosas, mas reforça que as lesões de curta distância e a decapitação destoavam das demais, sugerindo dinâmicas distintas de morte.

O MPRJ aguarda a conclusão dos laudos periciais e a identificação oficial dos corpos para cruzar os dados e aprofundar as investigações.

A Operação Contenção, que reuniu 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar, resultou em 121 mortos — incluindo quatro policiais —, 113 presos e 93 fuzis apreendidos.
A ação, segundo o governo, mirou o Comando Vermelho (CV) e buscou conter o avanço da facção, mas provocou retaliações e bloqueios em vias expressas como a Linha Amarela e a Grajaú-Jacarepaguá.

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Por Vitor Lobo - Rio Janeiro

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