O presidente da Rússia, Vladimir Putin, classificou como “infundado” o ataque dos Estados Unidos às instalações nucleares do Irã, ocorrido no último sábado (21/6), e afirmou que a ação aproxima o mundo de um “grande perigo”. A declaração foi feita nesta segunda-feira (23/6), durante encontro com o chanceler iraniano Abbas Araqchi, no Kremlin.
Putin criticou duramente a ofensiva americana, chamando-a de “agressão não provocada” e sem justificativa legal. Segundo o líder russo, o ataque coloca em risco a estabilidade regional e pode gerar consequências graves para o cenário internacional.
Além do presidente, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, também se pronunciou. Ele declarou que a ação militar dos EUA, realizada em coordenação com Israel, “inaugura uma nova espiral de escalada” no conflito entre Irã e Israel e “aumenta o número de participantes” na disputa.
Ataque dos EUA e Israel às instalações nucleares do Irã
No sábado (21), os Estados Unidos, com apoio de Israel, realizaram uma ofensiva aérea contra três das principais instalações nucleares iranianas: Fordow, Natanz e Isfahan. Segundo o Pentágono, a operação envolveu o uso de 125 aeronaves militares, mísseis de alta precisão, um submarino e bombas desenvolvidas para destruir estruturas subterrâneas.
O presidente americano, Donald Trump, descreveu a operação como “bem-sucedida”, e o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que o objetivo não era atingir o povo iraniano ou tropas diretamente, mas sim desmantelar parte da infraestrutura nuclear do país.
Imagens de satélite divulgadas no domingo (22) revelam crateras e marcas de destruição nas áreas próximas a Fordow. Analistas sugerem que as explosões ocorreram em camadas subterrâneas, o que explicaria o impacto visível reduzido na superfície.
Reação do Irã
A Organização Iraniana de Energia Atômica condenou o ataque, classificando-o como uma “violação bárbara do direito internacional”. Segundo o governo iraniano, materiais sensíveis já haviam sido removidos das instalações, o que teria minimizado os danos estratégicos.
O vice-diretor da TV estatal iraniana, Hassan Abedini, confirmou que os complexos nucleares estavam parcialmente evacuados antes da ofensiva.
Ainda assim, o conflito entre Israel e Irã, iniciado em 13 de junho, já contabiliza mais de 240 mortos e milhares de feridos, de acordo com dados oficiais. Organizações independentes estimam que o número de vítimas pode superar 500.
Rússia se posiciona como mediadora
Apesar das críticas, o Kremlin afirmou estar disposto a atuar como mediador para evitar o agravamento da crise. A Rússia e o Irã assinaram em janeiro um tratado de parceria estratégica, embora o acordo não preveja cláusulas de defesa mútua.
O porta-voz Dmitry Peskov reiterou que o futuro das ações russas dependerá das necessidades do Irã e dos desdobramentos do conflito. Até o momento, Moscou insiste em buscar soluções diplomáticas e alertou que novas intervenções militares podem levar a região ao “abismo”.
