*Foto: Carlos Barria/Reuters
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou a entrada direta do país na guerra entre Israel e Irã. Em pronunciamento neste sábado (21), ele anunciou ataques aéreos contra três instalações nucleares iranianas — Fordow, Natanz e Esfahan. O objetivo é eliminar a capacidade de enriquecimento de urânio do Irã. Os bombardeios, segundo Trump, foram realizados com sucesso por tropas norte-americanas que já teriam deixado o espaço aéreo iraniano.
“Se o Irã insistir no caminho da guerra, os próximos ataques serão ainda maiores e mais fáceis de executar”, afirmou o presidente, que classificou os bombardeios como “um sucesso militar espetacular”. O republicano acusou o regime iraniano de ameaçar a paz mundial há décadas. Nesse sentido, justificou a ação como necessária para conter o avanço nuclear do país persa.
O primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu agradeceu o apoio de Trump e reafirmou que os bombardeios, iniciados no último dia 13, continuarão até que a ameaça iraniana seja eliminada. Em pouco mais de uma semana, Israel já atacou cinco instalações nucleares do Irã e, neste sábado, anunciou a morte do comandante da Força Quds, Behnam Shariyari, responsável pelas relações do Irã com milícias como Hezbollah e Hamas.
As ações militares provocaram forte reação internacional. O Iêmen, que já vinha se posicionando contra Israel em apoio à causa palestina, ameaçou atacar navios dos EUA que naveguem pelo Mar Vermelho. Segundo o porta-voz do Exército iemenita, Yanya Saree, as forças armadas do país estão em alerta contra movimentos “hostis” na região.
Ataques sobre a Ilha de Guam
A tensão aumentou ainda mais com a movimentação de bombardeiros B-2 dos EUA para a Ilha de Guam, no Pacífico. Os aviões são capazes de atingir alvos subterrâneos, como bunkers nucleares, o que alimenta especulações sobre novas ofensivas de grande escala contra o Irã.
Enquanto isso, o governo do Irã nega que esteja desenvolvendo armas nucleares e afirma que seu programa tem fins pacíficos. Teerã acusa a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) de agir de forma politizada, sob influência dos EUA e aliados europeus. Apesar das acusações da AIEA sobre o não cumprimento de obrigações, a própria agência afirma não ter provas de que o país esteja fabricando uma bomba atômica.
A guerra, que já dura nove dias, deixou ao menos 430 iranianos e 30 israelenses mortos, segundo estimativas oficiais. O Irã declarou que não continuará negociações nucleares enquanto estiver sob ataque, aprofundando o impasse diplomático. Enquanto isso, a ONU expressou “profunda preocupação” com os riscos de uma escalada regional ainda maior, especialmente após o envolvimento direto dos EUA no conflito.

