Uma investigação da Polícia Civil do Rio de Janeiro contra o tráfico de drogas, armas e munições desvendou um esquema milionário que ligava comunidades da Baixada Fluminense a imóveis de alto padrão na capital fluminense. A Operação Contenção, deflagrada na segunda-feira (13), cumpriu mandados em quatro estados e resultou na apreensão de 240 armas — entre elas 16 fuzis e 20 pistolas — e 43 mil munições em uma mansão no condomínio Novo Leblon, na Barra da Tijuca.
Dez pessoas foram presas, entre elas Jhonnatha Schimitd Yanowich, suspeito de lavar dinheiro para o Comando Vermelho. Ele foi preso na noite anterior em São Paulo. Em sua residência no Rio, policiais encontraram também documentos, dinheiro e dois relógios de luxo avaliados em R$ 2,5 milhões, um deles com diamantes no lugar dos números.
De acordo com a Polícia Civil, as armas tinham origens diversas, incluindo Estados Unidos, Japão, Israel e Brasil. A operação contou com apoio da agência americana Homeland Security Investigations, especializada em crimes transnacionais.
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A polícia prendeu criminosos que estavam fora do radar, inclusive em áreas nobres da cidade. Sempre dizem que só vamos à favela, mas hoje mostramos que também atuamos onde estão os grandes nomes do tráfico — afirmou o secretário de Polícia Civil, Felipe Curi.
A ofensiva atingiu também o Terceiro Comando Puro (TCP). Durante uma ação da Polícia Militar no Complexo da Maré, o traficante Thiago da Silva Folly, o TH — chefe do tráfico na região — foi morto. Ele era considerado um dos criminosos mais procurados do Rio, com 17 mandados de prisão e 227 anotações criminais. Estava sempre cercado por pelo menos 30 seguranças.
A investigação teve início em 2023, após a prisão de três integrantes do Comando Vermelho em Duque de Caxias. Com os suspeitos, os agentes encontraram um caderno com anotações e números de telefone. A partir disso, foi instaurado um inquérito que revelou um esquema complexo de fornecimento de armamento e drogas para a facção.
Segundo a delegada Patrícia Uana, da 60ª DP (Campos Elísios), a operação conseguiu mapear toda a cadeia criminosa: do traficante que comanda favelas ao empresário que fornecia armas. O relatório final pediu o bloqueio de R$ 40 milhões movimentados pela quadrilha. O Ministério Público denunciou 22 pessoas.
Entre os alvos está Luiz Carlos Bandeira Rodrigues, o “Zeus Muzema” ou “Da Roça”, apontado como traficante em Rondônia e que se refugiou no Complexo do Alemão antes de assumir o controle da comunidade da Muzema, na Zona Oeste do Rio, dominada recentemente pelo Comando Vermelho. Em apenas dois meses, o criminoso comprou mais de R$ 5 milhões em armas, incluindo um fuzil calibre .50 — capaz de derrubar helicóptero — por R$ 240 mil.
As armas eram compradas por meio de transferências fracionadas, algumas via Pix, para tentar evitar detecção pelos órgãos de controle. Mesmo assim, relatórios do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) identificaram transações suspeitas entre Da Roça e Eduardo Bazzana, dono de loja de armas e presidente de um clube de tiro em São Paulo. Ele também foi preso.
Outro nome envolvido no esquema é Bruno de Lemo Garcia, apontado como laranja de Jhonnatha Yanowich. Ele teria comprado uma mansão por R$ 9 milhões e vendido o imóvel por apenas R$ 500 mil ao filho menor do empresário, em uma tentativa de disfarçar a origem dos recursos.
Também foram presos Sidney Emerson da Silva, Adriano César de Camargo, César Sinigalha Alvares, João Vinicius Tavares Corrêa, Alexandre da Silva, Rondinei Aparecido de Assis e Silva e Pedro Gustavo da Silva.
