Juliana Leite Rangel, de 23 anos, foi baleada na cabeça por agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na BR-040, em Duque de Caxias, na véspera de Natal. Ela estava no carro com os pais, a caminho da casa da irmã em Niterói, quando o veículo foi atingido por diversos disparos. Segundo o relato da família, os policiais atiraram sem qualquer abordagem prévia.
“Eles deram tiro para matar. Continuaram atirando mesmo com o carro parado”, afirmou o pai de Juliana, Alexandre Rangel. A jovem foi socorrida ao Hospital Adão Pereira Nunes, onde permanece em estado grave. Apesar disso, a irmã dela relatou sinais positivos, como o aumento dos batimentos cardíacos após ouvir palavras de incentivo.
Os três agentes envolvidos, equipados com dois fuzis e uma pistola automática, admitiram os disparos, alegando que ouviram tiros e deduziram que vinham do veículo. No entanto, reconheceram o equívoco após o incidente. Eles foram afastados preventivamente, enquanto a Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigam o caso.
A PRF e a PF emitiram notas lamentando o ocorrido e informaram que procedimentos internos e inquéritos estão em andamento para apurar responsabilidades. O superintendente da PRF no Rio, Vitor Almada, classificou o episódio como um grave erro:
“Na manhã desta quarta-feira (25), a Corregedoria-Geral da Polícia Rodoviária Federal, em Brasília/DF, determinou abertura de procedimento interno para apuração dos fatos relacionados à ocorrência da noite de ontem, na BR-040, em Duque de Caxias/RJ. Os agentes envolvidos foram afastados preventivamente de todas as atividades operacionais.
A PRF lamenta profundamente o episódio. Por determinação da Direção-Geral, a Coordenação-Geral de Direitos Humanos acompanha a situação e presta assistência à família da jovem Juliana.
Por fim, a PRF colabora com a Polícia Federal no fornecimento de informações que auxiliem nas investigações do caso.”
A família de Juliana enfrenta não apenas o impacto físico e emocional, mas também a indignação pela abordagem. A mãe da jovem, Dayse Rangel, acusou os agentes de omissão no socorro. “Eles só ficaram batendo no chão com a mão na cabeça, enquanto minha filha agonizava no carro”, disse.
