A Ucrânia realizou seu primeiro ataque ao território russo utilizando mísseis ATACMS, fornecidos pelos Estados Unidos, informou o Ministério da Defesa da Rússia. Segundo o comunicado, seis mísseis foram disparados em direção a Bryansk, região próxima à fronteira ucraniana, sendo que cinco foram interceptados e um sexto causou danos menores ao atingir uma área militar. Não houve vítimas relatadas.
O ataque representa uma mudança significativa no apoio militar americano à Ucrânia, uma vez que até então o uso desses armamentos em solo russo era vetado por Washington. A autorização foi dada no último domingo (17) pelo presidente Joe Biden, em resposta ao envio de tropas norte-coreanas para lutar ao lado das forças russas na guerra contra a Ucrânia.
O presidente russo Vladimir Putin reagiu ao ataque flexibilizando a doutrina de uso de armas nucleares da Rússia. Agora, além de responder a ataques nucleares, o país poderá utilizar armamento nuclear caso seu território ou o de Belarus seja alvo de agressões com armas convencionais que ameacem a soberania ou a integridade territorial.
Os mísseis ATACMS, fabricados pela Lockheed Martin, têm capacidade de atingir alvos a até 300 km de distância com alta precisão. Essa autorização ocorre em meio a tensões crescentes, com relatos de até 12 mil soldados norte-coreanos já posicionados na Rússia para apoio ao Exército russo. O número total pode chegar a 50 mil, segundo estimativas.
A Rússia considera o uso dos mísseis americanos no conflito como uma escalada sem precedentes, qualificando o ato como uma intromissão direta dos EUA na guerra. Autoridades russas alertaram que uma linha vermelha foi ultrapassada, o que pode levar a represálias significativas e até riscos de uma terceira guerra mundial.
O presidente Biden enfrenta críticas pela mudança de postura, ocorrida a menos de dois meses de sua saída da Casa Branca, quando Donald Trump assumirá a presidência. A decisão de liberar o uso dos ATACMS ocorre em um contexto de fortalecimento do apoio europeu à Ucrânia, com pacotes de ajuda financeira e discussões sobre envio de tropas, como sugerido pelo presidente francês Emmanuel Macron.
As relações entre a Rússia e a Coreia do Norte continuam a se estreitar. A Rússia ratificou um acordo de cooperação militar com Pyongyang, enquanto os EUA e aliados, como a Coreia do Sul, consideram o envio de armamento à Ucrânia como resposta.
A guerra, que se intensificou com avanços rápidos das forças russas nas últimas semanas, segue sem sinais de resolução. O uso dos ATACMS pelos ucranianos e a possibilidade de uma escalada nuclear aumentam as incertezas sobre os próximos desdobramentos do conflito.
