RIO DE JANEIRO, 26/12/2023 – Luis Antônio da Silva Braga, conhecido como Zinho, considerado inimigo número um pelo governo do Rio, se entregou à Polícia Federal na véspera de Natal. Com uma extensa ficha criminal, o miliciano tinha 12 mandados de prisão em aberto e estava foragido desde 2018. Sua prisão ocorreu após negociações entre sua defesa e as autoridades.
Ascensão na Maior Milícia do Estado
À frente da maior milícia do Rio, Zinho assumiu o comando do grupo há pouco mais de dois anos, após a morte de seu irmão, Wellington da Silva Braga, o Ecko. Ao contrário de muitos líderes paramilitares, Zinho não teve passagem pelas forças policiais. Inicialmente responsável pela contabilidade e lavagem de dinheiro, ele ascendeu ao posto de chefe do bando.
Passagens Pela Justiça e Prisões Anteriores
Zinho foi capturado em duas ocasiões, em 2015 e 2017, mas acabou solto em ambas. Na primeira vez, beneficiado por uma decisão judicial. Na segunda, suspeitas de pagamento de propina a policiais civis que resultaram na alteração de registros e sua libertação.
Ligação com Operação Quarto Elemento
Em 2018, Zinho foi detido em uma operação que investigava a grilagem de terras. Negociou sua liberdade por três horas, afirmando que seu irmão já havia acertado financeiramente com a delegacia. Policiais alteraram registros para eliminar rastros.
Chefia da Milícia Após a Morte do Irmão
Com a morte de Ecko em 2021, Zinho assumiu a liderança da milícia, sendo apontado como responsável por uma série de crimes, incluindo o ataque a ônibus em outubro deste ano, que resultou em 35 coletivos queimados na Zona Oeste.
Ligação com Deputada Estadual
Investigações revelaram pelo menos 15 encontros pessoais entre a deputada estadual Lucinha e integrantes da milícia de Zinho em 2021. A parlamentar é suspeita de favorecer os interesses do grupo paramilitar.
‘Currículo’ Cruel e Crimes Diversos
Zinho é acusado de ordenar o uso de carros clonados para localizar e executar rivais, pagar propina a policiais para obter informações privilegiadas e liderar um esquema milionário de lavagem de dinheiro. Seu grupo é responsável pela morte do ex-vereador Jerônimo Guimarães Filho, fundador da milícia Liga da Justiça.
Caos na Zona Oeste e Operação da Força Nacional
Em outubro deste ano, a milícia de Zinho realizou ataques a ônibus em represália à morte de um membro do grupo. O caos gerado na Zona Oeste resultou na intervenção da Força Nacional no estado, com o governador Claudio Castro prometendo a prisão do miliciano, que era considerado “inimigo número um” do Rio de Janeiro.
