O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) pediu a condenação do empresário e influenciador Renato Cariani por associação para o tráfico, tráfico de matéria-prima usada na fabricação de drogas e lavagem de dinheiro. Em caso de condenação, a pena pode variar de 16 a 51 anos de prisão em regime fechado. Cariani responde ao processo em liberdade. A defesa afirma que vai demonstrar que as acusações são improcedentes.
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O que a acusação sustenta
Segundo a denúncia, o influenciador participaria de um esquema de desvio de produtos químicos para o narcotráfico produzir toneladas de drogas, principalmente crack e cocaína. Além dele, a promotoria pede a condenação de outros dois réus, pelos mesmos crimes. O MP também pediu a absolvição de duas mulheres citadas nas investigações, entre elas uma sócia de Cariani na empresa.
O caso envolve a Anidrol Produtos para Laboratórios, de Diadema, na Grande São Paulo, da qual Cariani é dono e que foi alvo da Operação Hinsberg, da Polícia Federal, em dezembro de 2023. Segundo os promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), a empresa simulou 59 vezes a venda de produtos a empresas que não os tinham pedido, e Cariani teria criado pedidos fictícios para justificar os desvios.
Mensagens e relação com policial
De acordo com o Gaeco, mensagens extraídas do celular de Cariani indicariam uma relação próxima com um policial civil responsável pela fiscalização de produtos químicos usados no refino de drogas. Os promotores afirmam que ele recebia informações sobre fiscalizações e sugeria empresas a serem fiscalizadas, o que, segundo o Gaeco, mostraria que atuava para proteger a associação para o tráfico. O órgão também diz que as conversas indicariam que ele sabia que os insumos eram usados para preparar droga.
Como a pena chegou a 51 anos
Um advogado criminalista ouvido pela reportagem explicou que, se o pedido for aceito integralmente, com condenação por associação para o tráfico, 59 crimes de tráfico de insumos e 59 de lavagem de dinheiro, a pena poderia variar de 16 anos e 4 meses a 51 anos e 8 meses de reclusão para cada réu. Ele ressaltou que esse cálculo não se confunde com o limite legal de cumprimento de pena, de 40 anos.
Origem da investigação
A investigação começou em 2019, quando a farmacêutica AstraZeneca procurou o Ministério Público para informar que a Anidrol havia emitido, em 2017, notas fiscais de movimentações de produtos químicos que a empresa não reconhecia como suas.
O que diz a defesa
Em nota, o advogado de Cariani, Aldo Romani Netto, disse receber o pedido “com naturalidade” e afirmou que ele “não representa nenhuma surpresa”. Segundo a defesa, o processo está na fase de alegações finais, e ela vai demonstrar que as teses do Ministério Público são improcedentes. A defesa diz ter convicção de que o julgamento levará à absolvição do influenciador. A defesa dos outros dois réus não foi localizada.
Cariani tem 50 anos e mais de 11 milhões de seguidores no Instagram. Ele é réu, tem direito à presunção de inocência, e o caso ainda será julgado pela Justiça.
O espaço segue aberto para esclarecimentos e atualizações sobre o caso.
